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Sociologia · FGV · 2025

Questão comentada de Sociologia

Leia o trecho a seguir. O espaço também é tratado como um fato da natureza, “naturalizado” através da atribuição de sentidos cotidianos comuns. Sob certos aspectos, mais complexo do que o tempo – tem direção, área, forma, padrão e volumo como principais atributos, bem como distância – o espaço é tratado tipicamente como um atributo objetivo das coisas que pode ser medido e, portanto, apreendido. Reconhecemos que a nossa experiência subjetiva pode nos levar a domínios de percepção, de imaginação, de ficção e de fantasia que produzem espaços e mapas mentais como miragens da coisa supostamente “real”. Sob a superfície de ideias do senso comum e aparentemente “naturais” acerca do tempo e do espaço, ocultam-se territórios de ambiguidade, de contradição e de luta. Os conflitos surgem não apenas de apreciações subjetivas admitidamente diversas, mas porque diferentes qualidades materiais objetivas do tempo e do espaço são consideradas relevantes para a vida social em diferentes situações. Importantes batalhas também ocorrem nos domínios da teoria, bem como da prática, científica, social e estética. O modo como representamos o espaço e o tempo na teoria importa, visto afetar a maneira como nós e os outros interpretamos e depois agimos com relação ao mundo. Adaptado de: HARVEY, David. A condição pós-moderna. Uma pesquisa sobre as Origens da Mudança Cultural. São Paulo: Edições Loyola, 1992, pp. 188 – 190. Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que o autor

Gabarito: C

David Harvey trabalha com a ideia de que espaço e tempo não são apenas cenários neutros onde a vida acontece. Eles também são construídos socialmente: a forma como uma sociedade nomeia, mede, organiza e interpreta o espaço influencia diretamente suas relações, conflitos e práticas cotidianas. Ou seja, o espaço tem materialidade, mas o sentido que damos a ele nunca é inocente nem puramente natural. No trecho, o autor critica justamente a visão de senso comum que trata o espaço como algo óbvio e acabado. Para ele, por trás dessa aparência de neutralidade existem disputas teóricas, sociais e até estéticas. Em outras palavras, o modo como representamos o espaço afeta a forma como agimos no mundo. Isso é muito típico da Sociologia crítica: a realidade não é só o que está dado, mas também o que é interpretado e disputado. Por isso o gabarito é a letra C. Ela capta a ideia central do texto: o espaço é uma construção teórica e simbólica, e essas concepções não ficam só no papel. Elas interferem na prática social, na política, na ciência e até no modo como você percebe a cidade, as distâncias e as fronteiras. Harvey quer mostrar que teoria e vida concreta andam juntas, mesmo quando alguém finge que não. As alternativas erradas tentam puxar o texto para extremos: ou reduzem o espaço a uma coisa puramente material, ou dizem que ele é totalmente abstrato e sem efeitos concretos. O autor não vai por nenhum desses caminhos. Ele justamente defende a tensão entre materialidade e interpretação social do espaço.

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