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Sociologia · FGV · 2025

Questão comentada de Sociologia

Na falsificação de produtos (bens e serviços), marcas e/ou patentes, esses são copiados, imitados ou reproduzidos por uma organização ou rede, sem qualquer autorização ou remuneração de quem legalmente detém direitos sobre tal patrimônio intangível e tangível, com vistas à obtenção de vantagem financeira via comercialização. A marca que vai ser falsificada é, necessariamente, bem conhecida e sobretudo valorizada por um público que a consome ou gostaria de consumi-la. É uma prática que se reveste de certas propriedades da pirataria do passado, acrescida de traços modernos. Incide uma contrafação, pois essa falsificação é fraudulenta, ao violar o direito de propriedade industrial que legalmente pertence a terceiros. Por sua vez, os compradores podem estar cientes (o que usualmente acontece) ou não da ilegitimidade daquilo que adquirem. Num astuto modo de uso, o consumidor não pretende passar, nos seus círculos, a mercadoria falsa por verdadeira, para eliminar o risco social de ser desmascarada. Em vez disso, cria para si uma narrativa algo favorável e até prestigiosa, mediante: a) a exibição de conhecimentos sobre a marca original; b) comentários sobre viagens ao exterior em que o produto foi adquirido; c) exposição de um perfil de comprador esperto. Adaptado de: STREHLAU, Suzane; André Torres; Filipe Quevedo-Silva. O valor percebido no luxo falsificado pelo cliente de artigo legítimo: uma investigação qualitativa, Revista de Administração da UNIMEP. v.13, n.3, 2015, pp. 75 – 77. As afirmativas descrevem corretamente o comportamento social em relação aos produtos falsificado, à exceção de uma. Assinale-a.

Gabarito: E

A questão mistura consumo, status e identidade social. Em Sociologia, o produto não vale só pelo uso prático: ele também carrega valor simbólico. Por isso, muitas pessoas compram falsificados não apenas para ter o objeto, mas para tentar acessar a imagem social associada à marca, como prestígio, distinção e pertencimento. Nesse tipo de consumo, o objeto funciona quase como uma senha social. Mesmo quando o produto não é original, ele pode ser usado para comunicar conhecimento sobre a marca, gosto refinado ou a sensação de estar mais próximo de um certo estilo de vida. É por isso que o texto fala em narrativas favoráveis, viagens, esperteza e reconhecimento social. A alternativa correta é a letra E porque ela foge da lógica central do texto. A decisão de comprar falsificados não se explica principalmente pela percepção da qualidade do material, mas pelo valor simbólico, pela aparência de status e pelas aspirações sociais envolvidas. Em outras palavras: o foco não está no tecido, no couro ou no acabamento, mas no que o produto representa aos olhos dos outros. Esse tema conversa com autores como Bourdieu, quando mostra que o consumo também serve para marcar posição social e distinção. Em prova, desconfie quando a banca trocar o sentido social do consumo por um argumento meramente técnico ou material.

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