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Sociologia · FGV · 2025

Questão comentada de Sociologia

Leia o trecho a seguir sobre a declaração de Daniel Munduruku, filósofo indígena. Acho que posso generalizar sem medo de ser injusto. Em geral, os povos indígenas têm uma concepção de que o tempo é circular, como os ciclos da natureza. Eles não veem o tempo como algo linear, mas sim como algo que alimenta a si mesmo, desdobrandose e se projetando adiante. O passado diz respeito a quem somos, de onde viemos, e o presente é onde vivenciamos o resultado disso tudo. Com isto, esses povos construíram uma visão de mundo que, originalmente, não é baseada no tempo do relógio, da produção, do acúmulo de riquezas materiais. Essa é a visão resultante da concepção linear de tempo, que tem a ver com a certeza de que existe algo além do presente, ou seja, o futuro. Por essa ótica linear, no futuro, as pessoas serão mais felizes. Assim nascem as grandes histórias ocidentais sobre uma busca por algo muito importante: do santo graal a uma vida após esta vida. Esse olhar para o futuro aliena as pessoas para a necessidade mais imediata de construirmos nossa própria existência no presente. Fonte:https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2024- 04/modo-nao-indigena-de-pensar-futuro-e-alienante-diz-danielmunduruku As afirmativas a seguir apresentam possíveis objetivos para a utilização deste trecho em sala de aula, à exceção de uma. Assinale-a.

Gabarito: E

O trecho traz uma visão indígena de tempo e natureza que ajuda a discutir como diferentes povos organizam a vida social, os valores e a relação com o ambiente. Em sala, esse tipo de texto serve para comparar visões de mundo e mostrar que a sociedade não pensa o futuro, o trabalho e o progresso da mesma forma em todas as culturas. Isso é muito útil em Sociologia quando se quer ligar cultura, ambiente e diversidade de formas de viver. As alternativas A, B, C e D combinam com esse uso pedagógico, porque permitem analisar cultura, processos sociais e ambientais, relações com a natureza e até relações de produção e trabalho. Já a alternativa E destoa, porque fala em identificar conhecimentos ultrapassados a serem superados pelo avanço socioeconômico. O problema é que o trecho não pede para tratar a visão indígena como algo atrasado ou a ser descartado, mas como uma outra forma legítima de compreender o tempo e a existência. Em chave mais atual, isso conversa com a ideia de pluralismo cultural e com a valorização dos saberes dos povos indígenas, que aparece na Constituição Federal de 1988, nos direitos culturais e na proteção das manifestações das culturas indígenas. Também dialoga com a LDB, que estimula o respeito à diversidade cultural no processo educativo. Por isso, o gabarito é E: ela contraria o espírito do texto, porque transforma uma visão de mundo em algo a ser corrigido pelo “progresso”, em vez de reconhecê-la como conhecimento válido para reflexão crítica sobre sociedade e meio ambiente.

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