Leia o trecho a seguir. Ele está arraigado em quase todas as nossas práticas cotidianas. São atitudes, por exemplo, presumir que uma pessoa com deficiência seja incapaz de realizar qualquer atividade que as ditas pessoas normais realizam. É fato que o modo como algumas pessoas com deficiência realiza atividades pode não ser o mesmo que outras pessoas sem deficiência realizam, mas, nem por isso, elas deixam de realizar ou as fazem de maneira errada e incompleta. Lembremos que todos nós realizamos atividades de vida diária de acordo com as nossas possibilidades. Adpatado de: SOUZA, Ludmilla. Entrevista com o cientista social Julian Simões pela Agência Brasil, São Paulo, 2021. Assinale a afirmativa que identifica corretamente o tipo de preconceito descrito pelo trecho reproduzido.
- A)Classismo.
Classismo é preconceito ou discriminação baseada na classe social, e não na condição de deficiência.
- B)Misoginia.
Misoginia é ódio, desprezo ou discriminação contra mulheres, o que não é o foco do trecho.
- C)Capacitismo.
Está correta, porque o texto expressa a ideia de inferiorização e incapacidade atribuída às pessoas com deficiência.
- D)Racismo.
Racismo é discriminação baseada em raça ou cor, tema que não aparece no enunciado.
- E)Homofobia.
Homofobia é preconceito contra pessoas LGBTQIA+, sem relação com o caso descrito.
Gabarito: C
O trecho descreve um preconceito muito comum e, ao mesmo tempo, muitas vezes invisível no dia a dia: a ideia de que a pessoa com deficiência seria naturalmente incapaz, inferior ou menos apta para realizar atividades sociais, profissionais e cotidianas. Esse tipo de julgamento não nasce da deficiência em si, mas do olhar social que transforma diferenças em limitações absolutas. Em Sociologia, isso é chamado de capacitismo. É o preconceito ou discriminação contra pessoas com deficiência, baseado na suposição de que existe um corpo e uma mente “normais” e que todo o resto seria desvio, incapacidade ou dependência. Na prática, isso aparece quando se subestima a autonomia da pessoa, se duvida de sua competência ou se acha que ela deve ser excluída de certas atividades. O trecho combate exatamente essa lógica ao lembrar que cada pessoa realiza suas tarefas de acordo com suas possibilidades. Ou seja, a deficiência não define incapacidade geral, e a dificuldade costuma estar mais nas barreiras sociais e nas expectativas discriminatórias do que na pessoa. Esse olhar está alinhado também à Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), que reforça igualdade, acessibilidade e combate à discriminação. Por isso, o gabarito é a alternativa C. A banca quer que você reconheça que não se trata de preconceito de classe, gênero, raça ou orientação sexual, mas sim da exclusão e do estigma dirigidos às pessoas com deficiência.