Nossas vidas online e offline são hoje a mesma coisa. Para os acadêmicos que ainda usam o termo cibercultura para falar da atualidade, eu recomendo que acordem e olhem para o que existe em volta deles. MANOVICH, Lev. “Para Lev Manovich, falar em 'cibercultura' é negar a realidade”. Estadão, 21 de agosto de 2009. Disponível em: https://www.estadao.com.br/link/para-lev-manovich-falar-em-cibercultura-e-negar-a-realidade/. Com base no trecho acima, podemos inferir que o conceito de cibercultura tinha como pressuposto uma
- A)interpenetração recíproca entre os hábitos tradicionais e as tecnologias da informação.
Errada, porque mistura tradições culturais com tecnologia, mas não expressa o pressuposto central da noção clássica de cibercultura.
- B)separação nítida entre o que seria da ordem do real e o que seria da ordem do virtual.
Certa, porque a noção de cibercultura partia da ideia de distinção entre o real e o virtual, exatamente o que o trecho critica.
- C)previsão de que em breve não seria mais possível distinguir entre o online e o offline.
Errada, porque fala de uma superação futura da distinção online/offline, enquanto o pressuposto original era justamente a existência dessa distinção.
- D)visão ligada a meios de comunicação anteriores à era dos computadores pessoais.
Errada, porque cibercultura é um conceito ligado à era digital e às redes, não a meios de comunicação anteriores aos computadores pessoais.
- E)concepção de que cultura diz respeito apenas às manifestações coletivas e presenciais.
Errada, porque cultura não se limita a práticas presenciais e coletivas; ela inclui também mediações simbólicas, técnicas e digitais.
Gabarito: B
A ideia de cibercultura nasceu para descrever uma cultura marcada pela presença das tecnologias digitais, internet, redes e dispositivos conectados no cotidiano. Em sua formulação mais clássica, o termo ajudava a separar o mundo “online” do “offline”, como se existisse uma esfera própria, específica, do virtual. Era uma maneira de pensar a cultura mediada pela rede, com seus códigos, práticas e linguagens próprias. O trecho de Lev Manovich critica justamente essa visão, porque hoje a vida digital já não fica isolada num cantinho da existência. As interações, o trabalho, o consumo, o lazer e até a sociabilidade circulam entre telas e presença física o tempo todo. Por isso ele diz que falar em cibercultura, naquele sentido mais antigo, seria negar a realidade do presente. Na questão, o ponto-chave é que o conceito de cibercultura tinha como pressuposto uma separação entre o real e o virtual, como se fossem domínios distintos. Essa é a lógica por trás da alternativa B, que está correta. O texto sugere que essa divisão ficou ultrapassada, porque online e offline passaram a se misturar intensamente. Em resumo: a banca quer que você perceba a mudança histórica. Antes, pensava-se em internet como um espaço quase paralelo; hoje, a rede atravessa a vida social inteira. A sociologia adora essas viradas de chave, porque elas mostram que a tecnologia não é só ferramenta, mas também forma de organizar relações sociais.