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Sociologia · FGV · 2024

Questão comentada de Sociologia

Se Machado de Assis tornou-se quase inseparável do equacionamento das ‘ideias fora de lugar’, isto é, dos desnivelamentos e disparates entre a escravidão cotidiana e a pretensão universalizante do liberalismo burguês que pautou as nações modernas, o futebol brasileiro e Pelé são inseparáveis do ‘lugar fora das ideias’, o vetor inconsciente por meio do qual o substrato histórico e atávico da escravidão se reinventou de forma elíptica, artística e lúdica. WISNIK, José Miguel. Veneno remédio: o futebol e o Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. O autor traça uma comparação entre duas personagens importantes da cultura brasileira. O trecho destacado expressa

Gabarito: D

O trecho de José Miguel Wisnik faz uma leitura cultural do Brasil por meio de duas figuras simbólicas: Machado de Assis, na literatura, e Pelé, no futebol. A ideia central é mostrar como cada um, em seu campo, revela tensões históricas do país, especialmente a herança da escravidão e suas formas de reorganização na vida social e cultural. Não é só sobre talento individual; é sobre como a história do Brasil aparece em formas diferentes de expressão. Quando o autor fala em "lugar fora das ideias", ele está sugerindo que o futebol e Pelé não cabem bem nas explicações tradicionais e racionais sobre modernidade e progresso. O esporte, em vez de apagar o passado, transforma esse passado em performance, estilo, criatividade e invenção. Ou seja, a marca histórica dolorosa reaparece, mas ressignificada em linguagem artística e lúdica. Por isso o gabarito é a letra D: o texto destaca a capacidade do esporte de reconfigurar sequelas históricas em expressão artística. O futebol brasileiro, nesse raciocínio, não é apenas entretenimento ou mobilidade social; ele também funciona como forma simbólica de reorganizar contradições profundas da sociedade. Em linguagem de prova, a chave está em perceber que o autor não faz uma denúncia direta nem uma simples celebração do esporte. Ele interpreta o futebol como uma forma cultural que traduz, com drible e improviso, aquilo que a história social brasileira deixou como herança.

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