Os pesquisadores Laplantine e Nouss afirmam que o multiculturalismo defende a coabitação e a coexistência de grupos separados e justapostos, decididamente voltados para o passado, que convém proteger do encontro com os outros. Nesse sentido, o pensamento multicultural se opõe à maneira clássica de pensar a identidade nacional brasileira porque
- A)aquele radicaliza o ideário antropofágico de favorecimento das hibridações e fusões.
Errada, porque a antropofagia e a hibridação defendem a mistura entre culturas, o oposto da lógica multicultural descrita no enunciado.
- B)esta defende a ideia de uma homogeneidade étnica alcançada por meio do embranquecimento.
Errada, porque a identidade nacional brasileira clássica não se explica pela busca de homogeneidade étnica por embranquecimento, mas pela valorização da mestiçagem.
- C)aquele depende de uma invisibilização das diferenças étnicas e culturais da formação nacional.
Errada, porque o multiculturalismo não depende de invisibilizar diferenças, e sim de reconhecê-las e mantê-las em coexistência.
- D)esta está baseada na ideologia da mestiçagem, que valoriza misturas entre diversas matrizes culturais.
Certa, porque a maneira clássica de pensar a identidade nacional brasileira costuma se apoiar na ideologia da mestiçagem e na valorização das misturas culturais.
- E)aquele pensa o país como fruto de uma formação marcada pela violência colonialista.
Errada, porque a violência colonial é uma dimensão importante da formação do Brasil, mas não é o ponto que explica diretamente a oposição pedida entre multiculturalismo e identidade nacional clássica.
Gabarito: D
A ideia central aqui é comparar dois jeitos de pensar a formação nacional. No multiculturalismo, os grupos convivem lado a lado, mas sem necessariamente se misturar, com identidade própria preservada. Já a visão clássica sobre o Brasil costuma apostar na mistura como marca positiva do país, isto é, na mestiçagem e na fusão entre matrizes culturais diferentes. Por isso, o pensamento multicultural se choca com essa leitura tradicional da identidade brasileira. Se o multiculturalismo valoriza a manutenção das diferenças em convivência, a narrativa clássica brasileira valoriza justamente o encontro, a fusão e a hibridização. Em outras palavras: um quer manter separações reconhecidas; o outro enxerga a mistura como traço formador da nação. É exatamente por isso que a alternativa D está correta. Ela identifica a base da ideia clássica de identidade nacional no Brasil como uma ideologia da mestiçagem, isto é, a valorização das misturas entre diferentes matrizes culturais. Essa é uma chave interpretativa muito presente na sociologia e na antropologia brasileiras, especialmente quando se discute a construção simbólica da nação. Sem precisar entrar em lei, a referência doutrinária aqui é essa própria tradição de interpretar o Brasil como uma formação social marcada pela miscigenação e pela síntese cultural. A questão cobra mais a oposição conceitual do que um dado histórico isolado.