O modelo de estado desenvolvimentista periférico nacional-dependente é o dos países que realizaram sua revolução capitalista, mas que perderam parte de sua autonomia nacional e passaram a crescer muito lentamente após a grande crise da dívida externa dos anos 1980. A respeito do estado desenvolvimentista nacional-dependente, analise as afirmativas a seguir. I. O Brasil e o México exemplificam esse modelo pois realizaram sua revolução industrial entre 1930 e 1980, desenvolvendo-se aceleradamente nesse período, mas semiestagnaram em seguida, não conseguindo manter suas taxas de crescimento aceleradas. II. No Brasil, o discurso desenvolvimentista enfatizou a necessidade da industrialização e da intervenção do Estado para promovê-la, recorrendo frequentemente ao endividamento externo. III. Na década de 1980 aumentou a crítica do Ocidente ao estado desenvolvimentista latino-americano, em consonância com a preeminência da ideologia neoliberal e a formulação do chamado Consenso de Washington. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Errada, porque a afirmativa I é verdadeira, mas II e III também estão corretas.
- B)I e II, apenas.
Errada, porque I e II estão corretas, porém a III também está correta.
- C)I e III, apenas.
Errada, porque I e III estão corretas, mas a II também é verdadeira.
- D)II e III, apenas.
Errada, porque II e III estão corretas, mas a I também está correta.
- E)I, II e III.
Certa, porque as três afirmativas descrevem corretamente o modelo desenvolvimentista periférico nacional-dependente.
Gabarito: E
O chamado estado desenvolvimentista periférico nacional-dependente é uma forma de explicar países que industrializaram tardiamente, com forte atuação do Estado, proteção ao mercado interno e uso intenso de políticas públicas para acelerar a economia. O ponto-chave é que esse modelo funcionou por um tempo, mas depois perdeu fôlego, sobretudo quando a crise da dívida externa dos anos 1980 apertou as contas e reduziu a margem de manobra dos governos. Daí vem a ideia de crescimento mais lento e de menor autonomia nacional. No caso brasileiro, isso aparece com muita clareza: o discurso desenvolvimentista defendia industrialização, substituição de importações e intervenção estatal, quase como se o Estado dissesse: “deixa que eu empurro essa máquina”. Para financiar esse projeto, o país recorreu bastante ao endividamento externo, especialmente em fases de expansão industrial e infraestrutura. A assertiva I está correta porque Brasil e México são exemplos clássicos desse padrão: cresceram muito entre 1930 e 1980, mas depois não mantiveram o mesmo ritmo e entraram em semi-estagnação relativa. A assertiva II também está correta porque descreve exatamente o desenvolvimentismo brasileiro, com industrialização e Estado forte como motores do processo. A assertiva III igualmente está correta: nos anos 1980, o ambiente internacional mudou, o neoliberalismo ganhou força, e o Consenso de Washington consolidou a crítica ao Estado intervencionista latino-americano. Em termos de prova, a banca quer que você enxergue essa virada histórica: de um Estado indutor do crescimento para um modelo mais pressionado por ajuste fiscal, liberalização e redução do papel estatal.