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Sociologia · FGV · 2023

Questão comentada de Sociologia

A respeito do conceito de divisão social do trabalho, leia o trecho a seguir. A divisão social do trabalho se baseia na divisão natural do trabalho na família e na separação da sociedade em diversas famílias opostas umas às outras. Com a divisão social do trabalho estão dados: a distribuição desigual, tanto quantitativa quanto qualitativamente, do trabalho e de seus produtos; portanto, está dada a propriedade, que já tem seu embrião, sua primeira forma, na família, onde a mulher e os filhos são escravos do homem. Adaptado de Karl Marx. A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo, 2007, p. 36. Assinale a opção que caracteriza corretamente a concepção materialista da divisão social do trabalho.

Gabarito: A

Para Marx, a divisão social do trabalho não é um arranjo neutro nem uma simples forma de organizar tarefas; ela nasce dentro de relações sociais concretas, marcadas por conflito, dominação e desigualdade. Em vez de ver a sociedade como algo harmonioso, Marx olha para a história como um campo de tensões entre grupos com interesses opostos, especialmente quando há controle desigual sobre a produção e sobre os frutos do trabalho. No trecho citado, ele liga a divisão do trabalho à família, à propriedade e à submissão de uns por outros. Isso é bem típico da leitura materialista: a forma como as pessoas produzem a vida material influencia a organização social, política e familiar. Ou seja, não é a moral que cria a estrutura social, mas as condições materiais de produção e reprodução da vida. Por isso, a alternativa A está correta: Marx entende a atividade humana na história como atravessada pelo conflito social, e esse conflito ajuda a produzir desigualdades. Na visão dele, a divisão do trabalho está ligada à origem da propriedade privada e à separação entre quem controla e quem executa o trabalho. Em termos simples: quando a sociedade divide o trabalho de forma desigual, também divide poder, riqueza e liberdade. As demais alternativas escorregam para leituras mais funcionalistas, moralistas ou naturalizantes, que não combinam com o materialismo histórico de Marx. Aqui, a ideia central é que a sociedade não se organiza por consenso espontâneo, mas por relações de produção que geram dominação e classes em disputa.

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