Sobre a geração de intelectuais a que pertenceram Fernando Henrique Cardoso e Octavio Ianni, é correto afirmar que ela
- A)ofereceu as bases teóricas para o desenvolvimentismo brasileiro, em que se buscou investir no setor produtivo como forma de superar a dependência econômica.
Errada, porque essa geração não ofereceu a base teórica do desenvolvimentismo clássico, mas sim uma crítica à modernização dependente do capitalismo brasileiro.
- B)desenvolveu leituras ousadas sobre a formação do Brasil em seus aspectos cultural e econômico, notabilizando-se pela escrita ensaística.
Errada, porque a escrita ensaística remete mais aos intérpretes clássicos do Brasil, como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque e Caio Prado Jr., não a essa geração universitária.
- C)iniciou o emprego de métodos econométricos para abordar a história econômica brasileira, gerando um novo retrato otimista das possibilidades do país.
Errada, porque o foco não foi inaugurar métodos econométricos otimistas, mas desenvolver análises sociológicas e históricas críticas da dependência.
- D)foi a primeira geração de intelectuais profissionais da universidade brasileira, que deu rigor às ciências sociais por recurso ao paradigma durkheimiano.
Errada, porque não foi a primeira geração da universidade brasileira nem se define principalmente pelo paradigma durkheimiano, mas por uma leitura crítico-marxista da realidade social.
- E)aprofundou uma abordagem crítica da configuração e da modernização do capitalismo brasileiro baseada no materialismo histórico dialético.
Certa, porque essa geração aprofundou uma interpretação crítica da modernização e da dependência do capitalismo brasileiro, usando o materialismo histórico dialético.
Gabarito: E
A geração de Fernando Henrique Cardoso e Octavio Ianni ficou marcada por uma leitura crítica do Brasil, especialmente da economia e da modernização capitalista. Em vez de olhar o país como uma trajetória naturalmente promissora e linear, esses autores perguntavam: quem se beneficia do crescimento, quem continua dependente e por que a desigualdade persiste? Essa é uma chave muito típica do debate sociológico e político dos anos 1960 e 1970. Nesse contexto, ganhou força a chamada teoria da dependência, muito associada a Cardoso, Enzo Faletto e também ao ambiente intelectual em que Ianni atuou. A ideia central era mostrar que o capitalismo brasileiro se moderniza, mas de modo subordinado e desigual, mantendo vínculos de dependência com o centro do sistema mundial. Ou seja, há desenvolvimento, sim, mas não do tipo “livre, leve e solto” que resolve tudo sozinho. Por isso, o gabarito é a letra E: essa geração aprofundou uma abordagem crítica da configuração e da modernização do capitalismo brasileiro, com base no materialismo histórico dialético. Em termos simples, eles usaram uma lente marxista para entender classes sociais, dependência, Estado e desenvolvimento, fugindo tanto do otimismo ingênuo quanto da explicação puramente técnica da economia. Em prova da FGV, fique atento: ela costuma misturar essa geração com outros momentos da intelectualidade brasileira, como o ensaísmo clássico, o desenvolvimentismo e a institucionalização universitária das ciências sociais. Aqui, a pista decisiva é a leitura crítica do capitalismo dependente, e não uma visão celebratória do progresso.