As causas profundas de todas as transformações sociais e de todas as revoluções políticas não devem ser procuradas nas cabeças dos homens nem na ideia que eles fazem da verdade eterna ou da eterna justiça, mas nas transformações operadas no modo de produção e de troca. ENGELS, Friederich. Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, 1880. (Adaptado) As afirmativas a seguir descrevem corretamente o conceito de materialismo histórico, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Concebe a acumulação material e as forças produtivas como elementos fundamentais para entender as relações sociais.
Correta, porque o materialismo histórico destaca a base material, as forças produtivas e a acumulação como chaves para entender as relações sociais.
- B)Entende a interpretação histórica das dinâmicas sociais como engrenagem para transformações sociais.
Correta, pois a história é vista como processo de transformação social impulsionado pelas contradições materiais e pelas lutas históricas.
- C)Compreende os fenômenos sociais por meio de referenciais idealistas filosóficos plasmados na sociedade.
Errada, porque o materialismo histórico não explica os fenômenos sociais por referenciais idealistas, mas pelas condições materiais de produção e troca.
- D)Interpreta a realidade social por meio das relações produtivas como resultado de seu próprio tempo.
Correta, já que a realidade social é interpretada a partir das relações produtivas e do contexto histórico concreto de cada época.
Gabarito: C
O materialismo histórico, formulado por Marx e Engels, parte da ideia de que a vida social não pode ser explicada primeiro pelas ideias abstratas, mas pelas condições concretas de existência: trabalho, produção, propriedade e troca. Em outras palavras, antes de pensar em leis, moral ou política, vale olhar para a base material da sociedade, que ajuda a moldar o restante. É como dizer: o jeito como uma sociedade produz sua vida influencia fortemente como ela se organiza. Por isso, no materialismo histórico, as transformações sociais e as revoluções políticas têm relação com mudanças no modo de produção. Quando mudam as forças produtivas e as relações de produção, mudam também as instituições, os conflitos e até as formas de pensar. A história, aqui, não anda por ideias soltas no ar, mas por contradições concretas da vida material. A alternativa C erra justamente porque fala em referenciais idealistas filosóficos. Isso é o oposto da proposta marxista. Idealismo explica a sociedade a partir das ideias; materialismo histórico explica as ideias a partir das condições materiais. É a velha troca: em vez de começar pela cabeça, começa-se pelo chão da fábrica, do campo e da economia. As alternativas A, B e D estão alinhadas com essa leitura materialista da história, porque tratam de forças produtivas, relações sociais e interpretação histórica ligada ao tempo concreto. Já a C tenta puxar a explicação para um plano idealista, e aí sai da trilha de Marx e Engels.