A sociologia urbana trata da vida social e da interação humana em áreas metropolitanas em diversos momentos históricos. Em relação ao tema, é correto afirmar que
- A)no contexto da Revolução Industrial, Max Weber e Émile Durkheim analisaram os efeitos gerados pela relação contraditória do trabalhador com o produto de seu trabalho.
Errada: Weber e Durkheim não analisaram a relação contraditória do trabalhador com o produto de seu trabalho, tema mais ligado a Marx e à crítica da alienação.
- B)para Marx, a cidade industrial foi um tipo-ideal, uma forma associativa necessária para o desenvolvimento do mercado dotada de uma comunidade com alto grau de autonomia.
Errada: para Marx, a cidade industrial não foi tipo-ideal nem comunidade autônoma, mas parte da estrutura capitalista e de suas contradições.
- C)no início do século XX, George Simmel estudou o impacto da industrialização urbana na vida social, identificando como sua força homogeneizadora anula as individualidades.
Errada: Simmel estudou os efeitos da vida metropolitana sobre a experiência individual, como a atitude blasé, e não a ideia de que a industrialização anula simplesmente as individualidades.
- D)nos anos 1920, Robert Park e a perspectiva ecológica da Escola de Chicago abordaram a cidade como um ambiente natural e um modelo biológico, caracterizado por mecanismos de competição, simbiose e dominância.
Certa: a Escola de Chicago, com Robert Park, tratou a cidade por uma perspectiva ecológica, vendo o espaço urbano como um ambiente de competição, simbiose e dominação.
- E)a partir dos anos 1970, a sociologia estudou a gentrificação urbana, dinâmica pela qual imóveis e empreendimentos inicialmente destinados a pessoas de classes sociais mais altas passaram por desvalorização e abandono.
Errada: gentrificação é a valorização de áreas antes populares, com expulsão de moradores pobres, e não desvalorização e abandono de imóveis para classes altas.
Gabarito: D
A sociologia urbana nasceu tentando entender um fenômeno bem visível: a cidade moderna mudando rápido, com crescimento populacional, industrialização, migração e novas formas de convivência. Em vez de olhar a cidade só como cenário, os autores clássicos e a Escola de Chicago a trataram como um laboratório social, onde aparecem conflitos, desigualdades, redes de sociabilidade e modos de vida específicos. Nesse tema, é importante não misturar autores e ideias. Marx analisou a cidade e a indústria dentro da lógica do capitalismo, mas não como um tipo-ideal de comunidade autônoma. Weber trabalhou com tipos ideais e com a cidade ocidental em perspectiva histórica, enquanto Durkheim se preocupou com a coesão social e a passagem da solidariedade mecânica para a orgânica. Simmel, por sua vez, estudou a vida mental na metrópole e como o excesso de estímulos leva ao distanciamento e à atitude blasé, e não à simples anulação das individualidades. O gabarito é a letra D porque Robert Park e a Escola de Chicago desenvolveram a chamada perspectiva ecológica da cidade. Eles compararam o espaço urbano a um ambiente natural, no qual grupos e usos do solo competem, se distribuem e se reorganizam por mecanismos como competição, simbiose e dominação. É uma leitura clássica da cidade como espaço de disputa e adaptação, muito cobrada em prova. Já a gentrificação é um processo mais recente, ligado à valorização de áreas urbanas e à expulsão de moradores de menor renda, então a alternativa E inverte a lógica do fenômeno. Em resumo: cidade, na sociologia, não é só prédio e avenida, é relação social em alta velocidade.