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Sociologia · FGV · 2023

Questão comentada de Sociologia

“O significado de ser classificado socialmente como negro não é o mesmo se olharmos para o Brasil do século XIX ou do século XXI. No século XIX, a pele negra remetia diretamente à escravidão e ao trabalho braçal, fosse ele na plantação ou na casa-grande. As diferenças eram asseguradas por um sistema de dominação que tratava negros como objetos, negando direitos políticos e perpetrando castigos físicos. Mais de um século depois, grande parte da desigualdade permanece, mas seus significados são muito distintos”. Adaptado de ZAMBONI, Marcio. Um modo de olhar para as diversas formas de diferença e desigualdade presentes na sociedade contemporânea, in Sociologia Especial, p. 16. No trecho, utilizado em sala de aula para incentivar o debate sobre “Diferença e Desigualdade”, o docente mostra como, nas duas situações citadas, um marcador social de diferença (ser classificado como negro) torna-se fator de produção e reprodução de desigualdades. Em seguida, caracteriza com os alunos o conceito de “marcadores sociais de desigualdade e de diferença”. As afirmativas a seguir descrevem corretamente o resultado dessa caracterização, com base no trecho, à exceção de uma. Assinale-a.

Gabarito: A

A questão trabalha a ideia de que diferenças sociais não nascem prontas na natureza, mas são construídas historicamente e ganham sentido conforme o contexto. No caso do texto, ser classificado como negro não significava a mesma coisa no século XIX e no século XXI, porque o marcador racial operava dentro de relações sociais específicas, com efeitos diferentes de poder, exclusão e desigualdade. Quando a Sociologia fala em marcadores sociais da diferença e da desigualdade, ela olha para categorias como raça, gênero, classe, sexualidade e geração como elementos que organizam a vida social. Esses marcadores não são só descrições neutras: eles se conectam a hierarquias, oportunidades e formas de tratamento. Em outras palavras, a sociedade não apenas reconhece diferenças, ela muitas vezes transforma diferenças em desigualdades. Por isso, a letra A está errada. Ela naturaliza as diferenças e desigualdades, como se elas decorressem simplesmente da diversidade corporal ou de hábitos cotidianos, quando o ponto central da discussão é justamente o contrário: essas distinções são socialmente produzidas e carregadas de poder. Já as demais alternativas seguem bem essa linha sociológica, ligando diferença, contexto e dominação. Como apoio doutrinário, esse entendimento é compatível com a tradição sociológica sobre construção social das categorias e com a leitura de autores que analisam raça e desigualdade como relações historicamente produzidas, e não como fatos biológicos fixos.

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