A palavra queer, cujo sentido original era bizarro, excêntrico, estranho, passou a designar depreciativamente os homossexuais a partir do século XIX. Nos anos 1980, porém, a palavra foi ressignificada positivamente por grupos e ativistas LGBT+. Com essa transformação de sentido, o termo começou a ser usado no sintagma “teoria queer” para indicar
- A)a classificação dos indivíduos em categorias universais como “homossexual” ou "heterossexual".
Errada, porque a teoria queer não reforça classificações universais fixas como "homossexual" ou "heterossexual", mas critica justamente essas categorias rígidas.
- B)o conceito clássico de gênero, que distingue o “heterossexual” socialmente aceito do “anômalo” (queer).
Errada, pois o termo queer não se limita ao contraste entre o "aceito" e o "anômalo"; ele questiona a própria norma que produz essa separação.
- C)o espectro amplo de identidades sexuais e políticas não normativas e de gênero.
Certa, porque a teoria queer se refere à diversidade de identidades sexuais, de gênero e políticas que não se encaixam no padrão normativo.
- D)a segmentação das identidades sociais em função do sexo, ao invés dos critérios de classe social ou de etnia.
Errada, já que a teoria queer não trata da substituição de classe ou etnia pelo sexo como critério de análise social; seu foco é a crítica às normas de sexualidade e gênero.
- E)o binarismo que fundamenta as hierarquias sociais e as relações de poder no passado e no presente.
Errada, pois a teoria queer não defende o binarismo; pelo contrário, ela critica as hierarquias e categorias binárias impostas como naturais.
Gabarito: C
A teoria queer surge como uma crítica às ideias de identidade sexual e de gênero vistas como fixas, naturais e universais. Em vez de tratar as pessoas como se todas coubessem em caixinhas prontas, ela questiona justamente essas caixinhas. A palavra queer foi ressignificada por movimentos LGBT+ e passou a marcar uma postura de contestação às normas que definem o que seria "normal" ou "desviante". Na sociologia e nos estudos de gênero, isso significa olhar para identidades sexuais e de gênero como construções sociais, históricas e políticas, e não como algo imutável. A teoria queer chama atenção para a pluralidade de vivências, para corpos e desejos que escapam ao padrão heteronormativo e para as relações de poder que produzem essas classificações. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela traduz exatamente a ideia de um espectro amplo de identidades sexuais e políticas não normativas e de gênero. O termo queer, nesse uso, não serve para enquadrar as pessoas numa categoria rígida, mas para abrir espaço à diversidade e para questionar a norma. Em termos doutrinários, essa é a marca central da teoria queer em autores como Judith Butler e outros estudos críticos de gênero: a desconstrução da naturalização das identidades e da heteronormatividade. A questão explora bem essa virada semântica e política do termo.