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Sociologia · FGV · 2023

Questão comentada de Sociologia

A palavra queer, cujo sentido original era bizarro, excêntrico, estranho, passou a designar depreciativamente os homossexuais a partir do século XIX. Nos anos 1980, porém, a palavra foi ressignificada positivamente por grupos e ativistas LGBT+. Com essa transformação de sentido, o termo começou a ser usado no sintagma “teoria queer” para indicar

Gabarito: C

A teoria queer surge como uma crítica às ideias de identidade sexual e de gênero vistas como fixas, naturais e universais. Em vez de tratar as pessoas como se todas coubessem em caixinhas prontas, ela questiona justamente essas caixinhas. A palavra queer foi ressignificada por movimentos LGBT+ e passou a marcar uma postura de contestação às normas que definem o que seria "normal" ou "desviante". Na sociologia e nos estudos de gênero, isso significa olhar para identidades sexuais e de gênero como construções sociais, históricas e políticas, e não como algo imutável. A teoria queer chama atenção para a pluralidade de vivências, para corpos e desejos que escapam ao padrão heteronormativo e para as relações de poder que produzem essas classificações. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela traduz exatamente a ideia de um espectro amplo de identidades sexuais e políticas não normativas e de gênero. O termo queer, nesse uso, não serve para enquadrar as pessoas numa categoria rígida, mas para abrir espaço à diversidade e para questionar a norma. Em termos doutrinários, essa é a marca central da teoria queer em autores como Judith Butler e outros estudos críticos de gênero: a desconstrução da naturalização das identidades e da heteronormatividade. A questão explora bem essa virada semântica e política do termo.

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