Todo o poder que exerce violência simbólica, isto é, todo o poder que consegue impor significações e impô-las como legítimas, dissimulando as relações de poder que estão na base da sua força, junta a sua própria força simbólica específica a essas relações de poder. BOURDIEU, P., & PASSERON, J-C. Reproduction in education, society and culture. Londres: Sage Publications, 1977, p. 4. Adaptado. As afirmativas a seguir caracterizam a violência simbólica de acordo com as premissas dos autores citados, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)O poder da violência simbólica consiste em impor significados.
Certa, porque a violência simbólica consiste justamente em impor significados e fazê-los valer como legítimos.
- B)As relações de poder são dissimuladas por processos de legitimação.
Certa, porque as relações de poder ficam encobertas por processos de legitimação que as fazem parecer naturais.
- C)A violência simbólica é um ato consciente e deliberado de opressão.
Errada, porque a violência simbólica não depende necessariamente de intenção consciente, mas de mecanismos sutis de dominação legitimada.
- D)O poder da violência simbólica fundamenta-se nas relações de poder.
Certa, porque esse tipo de poder se apoia em relações de poder já existentes e as reforça.
- E)A violência simbólica camufla as relações de poder, o que estabelece e aumenta a sua própria força.
Certa, porque ao disfarçar a dominação, a violência simbólica fortalece a própria capacidade de exercer poder.
Gabarito: C
Para Bourdieu e Passeron, violência simbólica é um tipo de poder que faz as pessoas aceitarem determinadas ideias, valores e hierarquias como se fossem naturais, legítimos e normais. O truque está justamente aí: a dominação não aparece como dominação, porque ela vem disfarçada de consenso, cultura, mérito ou autoridade legítima. Em vez de forçar abertamente, ela convence, molda percepções e organiza o que parece "correto" no cotidiano. Na educação, isso aparece quando a escola transmite desigualdades culturais como se fossem simplesmente diferenças de capacidade. Assim, quem já chega com o repertório social valorizado pela instituição leva vantagem, e isso pode parecer um resultado "neutro" ou "justo", quando na verdade reproduz relações sociais anteriores. É a famosa reprodução social com roupa de evento. Por isso, a alternativa C está errada: violência simbólica não é um ato consciente e deliberado de opressão. Para esses autores, ela funciona de modo sutil, muitas vezes invisível até para quem sofre e também para quem exerce o poder. As demais alternativas captam bem essa lógica de imposição de significados, legitimação e ocultação das relações de força.