“Muitas violências são praticadas a partir de sistemas de classificação, devidamente naturalizados, sem que sejam questionadas a origem dessas que são práticas sociais de subordinação. Muitas vezes achamos e dizemos sem constrangimento que “nós” temos ciência, e “eles” têm crenças; que “nós” temos arte, e “eles” artesanato; que “nós” temos filosofias, e “eles” mitos. Essas formas de classificação escondem da realidade que pretendem elucidar, um mundo de preconceitos vistos sempre a partir de uma perspectiva europeia e ocidental.” SCHWARCZ, Lilia. “Índio não, indígena: os sistemas classificatórios” apud https://www.nexojornal.com.br/, 06/06/2022. No trecho, a autora critica o uso de formas de classificação de sociedades e culturas embasadas em uma perspectiva
- A)relativista.
Errada, porque relativismo cultural faz o oposto da crítica apresentada: ele busca compreender as culturas no seu próprio contexto, sem hierarquizá-las.
- B)racista.
Errada, porque o texto não trata de racismo biológico ou racial, mas de hierarquização simbólica e cultural entre povos.
- C)culturalista.
Errada, porque culturalismo não é a ideia central do trecho; a autora critica a leitura que transforma diferenças culturais em superioridade de um grupo sobre outro.
- D)etnocêntrica.
Certa, porque o trecho denuncia a visão que toma a cultura europeia e ocidental como padrão universal e inferioriza outras sociedades.
- E)tolerante.
Errada, porque tolerância implica respeito e abertura à diversidade, enquanto o texto aponta justamente uma postura de julgamento e subordinação cultural.
Gabarito: D
A questão trabalha uma ideia central da Sociologia da cultura: nem toda classificação aparentemente neutra é neutra de verdade. Muitas vezes, a forma como dividimos os grupos humanos carrega a visão de quem classifica, e não uma verdade universal. Quando alguém diz que “nós temos ciência” e “eles têm crenças”, por exemplo, está colocando a própria cultura como medida de todas as outras. Isso é um movimento típico de hierarquização cultural. Essa postura é chamada de etnocentrismo. Em vez de enxergar outras sociedades a partir de seus próprios valores e significados, o observador julga tudo pela régua da sua cultura, geralmente europeia e ocidental, como o texto aponta. O resultado é que práticas, saberes e modos de vida diferentes acabam vistos como inferiores, atrasados ou menos legítimos. Por isso o gabarito é a letra D. A autora critica justamente a classificação das culturas a partir de uma perspectiva que toma a experiência europeia como padrão e rebaixa os demais povos. Isso não é relativismo, porque o relativismo cultural tenta compreender cada cultura no seu próprio contexto, sem hierarquizar. O texto critica o oposto disso. Em concursos, fique atento: quando aparecer a ideia de “nós” versus “eles”, com julgamento de superioridade cultural, a banca costuma estar piscando em neon para etnocentrismo. É aquele velho hábito de achar que o seu jeito de viver é o manual oficial da humanidade.