A concepção materialista da história, contribuição importante de Karl Marx, tem como uma de suas ideias fundamentais a transformação do mundo material por meio das maneiras pelas quais os homens produzem seus meios de subsistência e as relações de produção que estabelecem para alcançá-los. As sentenças a seguir são conceitualmente coerentes com o materialismo histórico, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)A realidade material corresponde à racionalidade e se manifesta no tempo de forma evolutiva.
Errada, porque Marx não vê a realidade material como um processo evolutivo e racional, mas como um campo de contradições e conflitos históricos.
- B)O modo de produção da vida material é que condiciona o processo da vida social, política e espiritual.
Certa, pois o modo de produção da vida material condiciona as dimensões social, política e espiritual da existência.
- C)O caráter antagônico do processo social de produção decorre das condições sociais de vida dos indivíduos.
Certa, porque o antagonismo social decorre das condições materiais e das relações sociais de produção.
- D)Deve-se julgar a consciência da transformação a partir das contradições da vida material, e não a partir de si mesma.
Certa, já que a consciência deve ser explicada a partir das contradições da vida material, não como causa de si mesma.
- E)Não é a consciência do homem que determina seu ser, mas, ao contrário, é seu ser social que determina sua consciência.
Certa, pois, para Marx, o ser social determina a consciência, e não o inverso.
Gabarito: A
O materialismo histórico, ligado a Marx, parte de uma ideia bem direta: para entender a sociedade, você deve olhar primeiro para a vida material, isto é, como as pessoas produzem o que precisam para viver. Não é a cabeça que manda no mundo social; são as condições concretas de existência que moldam instituições, valores e ideias. Por isso, economia, trabalho e relações de produção estão no centro da explicação marxista. Nessa perspectiva, o modo de produção da vida material condiciona a vida social, política e espiritual. Em outras palavras, a forma como a sociedade organiza a produção influencia o Estado, a cultura, a moral e até a maneira como as pessoas pensam. A consciência, então, não surge do nada: ela é produzida dentro de uma realidade social determinada. A alternativa A foge desse eixo porque fala como se a realidade material correspondesse à racionalidade e se desenvolvesse de modo evolutivo, quase como um progresso natural e harmonioso. Isso não é a lógica de Marx. Para ele, a história avança por contradições, conflitos e luta de classes, não por uma evolução linear e racional da realidade material. Se você guardar uma frase-chave, guarde esta: em Marx, o ser social determina a consciência, e não o contrário. Essa é a espinha dorsal do materialismo histórico e aparece em formulações clássicas da obra marxiana, especialmente na crítica à filosofia idealista.