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Sociologia · FGV · 2022

Questão comentada de Sociologia

Para analisar e criticar as relações de poder, não podemos atribuir-lhes uma qualificação pejorativa ou laudatória global, definitiva e unilateral. Pois elas funcionam em termos de jogos, com táticas e estratégias, mediante a norma e pelo acaso. Caracterizam fenômenos difusos e descentralizados, mais do que as batalhas a respeito das coerções estatais. Quando analisamos as relações de poder, estamos às voltas com um poliedro de inteligibilidade, no qual o número das faces não está definido previamente e não pode jamais ser considerado encerrado de pleno direito. FOUCAULT, M. Ética, sexualidade e política. RJ: Forense Universitária, 2004, p. 45-55. Com base no trecho, pode-se dizer que as relações de poder

Gabarito: B

O trecho de Foucault afasta uma ideia muito comum em provas: a de que poder é uma coisa única, centralizada e sempre ligada só ao Estado. Para ele, o poder circula, se espalha pelas relações sociais e aparece em jogos de força, táticas, estratégias e disputas do dia a dia. Ou seja, não dá para reduzir tudo a um único centro de comando. Essa visão é típica de Foucault: o poder não é apenas repressão de cima para baixo, mas uma rede de relações que atravessa instituições, discursos e práticas sociais. Por isso ele fala em fenômenos difusos e descentralizados. O texto pede exatamente essa leitura mais ampla e menos “engessada” do poder. Assim, a alternativa B está correta porque resume bem essa ideia de que as relações de poder têm muitas faces e não podem ser explicadas por um único ângulo. O trecho destaca justamente o caráter multifacetado, aberto e complexo do fenômeno. Já as demais alternativas tentam encaixar o texto em teorias mais clássicas ou mais estatais, como Marx ou Weber, mas isso não combina com a proposta foucaultiana. Aqui, o foco não é a dominação de classe nem o monopólio da força estatal, e sim a multiplicidade das relações de poder.

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