Segundo Teixeira Coelho (1985) no livro “O que é indústria cultural”, a indústria cultural surge como função do fenômeno da industrialização. Diante do exposto, a alternativa que melhor caracteriza a noção de indústria cultural é:
- A)Simplifica, ao máximo, seus produtos, de modo a obter uma atividade sempre passiva do consumidor.
Correta: descreve a padronização e simplificação dos produtos culturais para manter o consumo passivo.
- B)É um processo de popularização das chamadas artes eruditas (artes plásticas, ópera, música erudita etc.).
Errada: isso se aproxima de difusão cultural ou democratização do acesso, não de indústria cultural.
- C)É o conjunto de procedimentos, envolvendo recursos humanos e materiais, que visam pôr em prática os objetivos de uma determinada política cultural.
Errada: define política cultural, isto é, ações organizadas para executar objetivos culturais.
- D)É um dos instrumentos básicos da organização e promoção do lazer entendido não como simples ocupação do tempo, mas como utilização instruída ou esclarecida do tempo livre.
Errada: fala de organização do lazer, não do processo de produção cultural em massa.
- E)Tem a mediação cultural com ponto de partida, etapas intermediárias, fime finalidade previstos. Tem, por meta, alternativa ou cumulativamente, a transmissão de conhecimentos e técnicas determinadas.
Errada: trata de mediação cultural com objetivos pedagógicos, e não da lógica industrial da cultura.
Gabarito: A
A ideia de indústria cultural vem da Escola de Frankfurt e ajuda a entender como, com a industrialização, a cultura passa a ser produzida em série, como se fosse mercadoria. Em vez de criar obras para provocar reflexão e diferença, o sistema cultural tende a padronizar conteúdos para vender mais e alcançar o maior número possível de pessoas. O resultado costuma ser um consumo mais passivo, com produtos fáceis de entender, repetitivos e feitos para agradar sem exigir muito do público. É exatamente por isso que a alternativa A está correta: ela descreve a simplificação dos produtos culturais para manter o consumidor em postura passiva, o que combina com a crítica clássica de Adorno e Horkheimer ao processo de massificação cultural. Teixeira Coelho, ao tratar do tema, segue essa linha crítica: a indústria cultural não é apenas cultura para muitos, mas cultura moldada pela lógica industrial e pelo mercado. As outras alternativas tentam falar de política cultural, lazer ou mediação cultural, mas escapam do conceito central de indústria cultural. Aqui, o ponto-chave é perceber que a cultura deixa de ser apenas expressão simbólica e vira também produto padronizado, distribuído em escala e pensado para consumo rápido. É a cultura em modo linha de montagem.