Traduzimos, comumente, a palavra grega polis por ‘cidade-Estado’. A nomenclatura ‘Estado’, entretanto, só começa a ser usada no Renascimento. Uma de suas primeiras aparições se dá em O príncipe (1513) de Maquiavel. Lê-se logo nas suas primeiras linhas; “Todos os Estados, todos os domínios que tiveram e têm poder sobre os homens foram ou são repúblicas ou principados” (2016. p. 47). Sobre o modo de governar cidades ou principados que, antes de conquistados, viviam de acordo com suas leis, Maquiavel propõe três formas diferentes; assinale-as.
- A)Incorporá-los; abandoná-los; e, instituir nova constituição.
Errada, porque Maquiavel não fala em incorporar os territórios, abandoná-los e instituir nova constituição como trio de soluções para esse caso.
- B)Criar colônias; incorporar os poderosos; e, oprimir os mais fracos.
Errada, pois criar colônias e oprimir os fracos não corresponde às três formas indicadas por Maquiavel para cidades já acostumadas às suas próprias leis.
- C)Ocupá-lo; transferir o poder; e, criar novas leis de acordo com novos costumes.
Errada, porque ocupar o território, transferir o poder e criar novas leis com novos costumes não é a formulação maquiaveliana clássica do problema.
- D)Arruiná-los; estabelecer residência; e, permitir que eles continuem a viver de acordo com suas próprias leis.
Certa, pois resume as três medidas apontadas por Maquiavel: arruinar a cidade, estabelecer residência nela ou permitir que mantenha suas próprias leis.
Gabarito: D
Quando Maquiavel fala de cidades ou principados recém-conquistados, ele está pensando de forma bem prática: como manter o controle sem ser derrubado no dia seguinte. Em O Príncipe, especialmente no capítulo V, ele analisa o caso dos Estados que antes viviam com suas próprias leis e costumes, e mostra que governar esses territórios exige uma escolha estratégica, não uma receita moral bonita de livro de autoajuda política. A ideia central é que, para conservar esse tipo de domínio, o governante pode seguir três caminhos: arruiná-los, ir morar lá com sua corte e seu exército, ou permitir que continuem a viver sob suas próprias leis, desde que paguem tributos e aceitem a autoridade do novo senhor. Maquiavel não está preocupado em parecer gentil; ele está preocupado em evitar revoltas e consolidar o poder. Por isso o gabarito é a letra D. Ela reproduz exatamente as três medidas clássicas apresentadas por Maquiavel para territórios conquistados que já tinham organização própria: destruir a antiga ordem, estabelecer residência no local ou manter as leis locais sob controle político do conquistador. É uma visão realista, típica do pensamento maquiaveliano, em que a eficácia vale mais do que a aparência de virtude. Em concurso, vale guardar a lógica: Maquiavel separa a política da moral idealizada e observa o que funciona na prática. Então, se aparecer questão sobre conquista e manutenção de poder, pense em controle territorial, prevenção de rebelião e preservação da autoridade, não em discurso bonitinho.