No final do século passado, o Brasil era apontado como um caso único e singular de extrema miscigenação racial como descrito na obra “O Espetáculo das raças: cientistas, instituições e questão racial no Brasil 1870-1930”, de Lilian Moritz Schwarcz. Dentre os aspectos das análises realizadas nesse período em relação ao estudo sobre raça, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)A visão poligenista se ancora nos estudos da Frenologia e da Antropometria.
Correta, porque a visão poligenista se apoiou em medidas do corpo e em classificações pseudocientíficas como Frenologia e Antropometria.
- B)A Antropologia cultural, enquanto disciplina nesse momento, se opõe às óticas evolucionistas e poligenistas.
Errada, porque a Antropologia Cultural não se encaixa como disciplina desse momento para sustentar essas teses raciais; ela se desenvolveu depois como crítica ao determinismo biológico e ao racismo científico.
- C)Para os poligenistas, os mestiços exemplificavam a diferença fundamental entre as raças e personificavam a degeneração.
Correta, porque o poligenismo via a mestiçagem como degeneração e tomava os mestiços como argumento para diferenciar e hierarquizar raças.
- D)Duas grandes vertentes aglutinavam os diferentes autores; de um lado, a visão monogenista; de outro surge a versão poligenista.
Correta, porque as análises da época costumavam se organizar entre monogenismo e poligenismo, que eram as duas grandes vertentes do debate racial.
Gabarito: B
No estudo das teorias raciais do fim do século XIX e início do XX, aparece um verdadeiro desfile de explicações para “classificar” a humanidade, muitas delas hoje totalmente superadas. Duas correntes foram centrais nesse debate: o monogenismo, que defendia uma origem comum para todos os seres humanos, e o poligenismo, que sustentava origens distintas e ajudava a justificar hierarquias raciais. Nesse contexto, a Frenologia e a Antropometria serviram de base para leituras pseudocientíficas sobre o corpo e o comportamento, reforçando o racismo científico da época. Para os poligenistas, a miscigenação era vista como sinal de degeneração, e os mestiços eram usados como suposta prova dessa “mistura problemática”. A alternativa B é a incorreta porque a Antropologia Cultural não pode ser colocada como disciplina já atuante nesse mesmo momento histórico nessa chave explicativa. Ela se consolidou depois, sobretudo como crítica às visões biologizantes e deterministas, afastando-se do evolucionismo cultural e do racismo científico, e não sendo parte orgânica desse pacote de ideias do período descrito por Schwarcz. Resumo de prova: se a questão falar em teorias raciais antigas, pense em monogenismo, poligenismo, racismo científico, frenologia, antropometria e degeneração da mestiçagem. Já a Antropologia Cultural entra mais como reação crítica a esse tipo de pensamento do que como sua parceira.