É mais ou menos consensual no âmbito das ciências sociais que a palavra “positivismo” tenha em alguns momentos um significado negativo, assim como já possuiu um significado positivo. Acompanhar a mudança de valoração dessa palavra é historiar uma parte importante da história das ciências sociais no Brasil e no mundo ao longo do século XX e início do século XXI. Por outro lado, o conteúdo desse “positivismo” não é algo consensual nem muito menos preciso, variando desde a equivalência à reação política da burguesia (com Lênin) até à razão instrumental que desumaniza (com a Escola de Frankfurt). Ainda afirma-se que o positivismo jurídico, o comportamentalismo psicológico, o positivismo na História são variações, ou melhor, aplicações do positivismo original, vinculado à filosofia e à sociologia. (TISKI, Sérgio. 2007. A questão da moral em Augusto Comte. Londrina: UEL.) Em quaisquer dessas hipóteses, a origem do “positivismo” é atribuída ao francês Augusto Comte (1798-1857), autor de várias publicações consideradas de muito valor. Dentre as suas ideias, encontra-se a afirmação de que:
- A)O desenvolvimento das coisas e fenômenos não é “ordeiro”, isto é, isento de conflitos ou sobressaltos e, portanto, não se pode esperar que nenhuma ciência o seja.
Errada, porque Comte defendia justamente a ordem e a regularidade dos fenômenos, não a ideia de que o desenvolvimento das coisas é desordeiro.
- B)As mudanças científicas ocorrem de maneira incompleta e lenta, desde que o homem conseguiu controlá-las, tanto no sentido socialmente disruptivo quanto no sentido da própria prática científica.
Errada, porque a descrição é vaga e não corresponde à teoria comtiana, que não trata a ciência como algo que surge de forma incompleta e lenta ness termos.
- C)A desmistificação da teoria do centro do universo teve consequências radicais, causando uma decadência intelectual irrecuperável da teologia e da própria ciência, que levou séculos para se reerguer.
Errada, porque Comte não sustenta que a queda do geocentrismo tenha causado decadência intelectual da teologia e da ciência.
- D)A passagem das fases teológica e metafísica para a positiva é muito importante; ela consiste em passar do absolutismo filosófico para o relativismo; nisso, consistindo uma verdadeira revolução moderna.
Certa, porque expressa a Lei dos Três Estados de Comte: passagem do teológico e do metafísico para o positivo, isto é, da especulação para a ciência.
Gabarito: D
Augusto Comte é o nome mais ligado ao positivismo, uma corrente que defende que o conhecimento válido deve se apoiar na observação, na comparação e na busca de leis gerais sobre a sociedade e a natureza. Para Comte, a humanidade evolui em etapas, e isso aparece na famosa Lei dos Três Estados: teológico, metafísico e positivo. No primeiro, explica-se o mundo por seres sobrenaturais; no segundo, por abstrações filosóficas; no terceiro, pela ciência, que procura regularidades e causas verificáveis. É exatamente por isso que a alternativa D está correta. Comte entende que a passagem das fases teológica e metafísica para a positiva representa um avanço histórico decisivo, quase uma virada de chave da mentalidade humana. Em vez de explicações absolutas e especulativas, entra em cena uma visão científica, baseada em fatos e na busca de ordem e progresso. Essa ideia é central no positivismo e marcou profundamente a sociologia nascente. As demais alternativas tentam embaralhar o conceito com críticas posteriores ao positivismo ou com ideias que não são de Comte. Ele não via a realidade social como caótica por natureza, nem falava em decadência da ciência por causa da queda do geocentrismo. O foco dele é outro: organizar o conhecimento, estabelecer método e explicar a evolução do pensamento humano de forma progressiva. Em resumo: se aparecer Comte em prova, pense logo em ordem, progresso, ciência e Lei dos Três Estados. É aquele clássico caso em que a sociologia nasce querendo arrumar a casa antes de discutir a decoração.