A história do negro em São Paulo se confunde, durante um largo período de tempo, com a própria história da economia paulista. (Florestan Fernandes. 2008, p. 27.) Corresponde à análise feita por Florestan Fernandes e Roger Bastide sobre a inserção do negro na economia capitalista:
- A)O ex-escravo passa a competir em igualdade com os imigrantes europeus pelos postos de trabalho nas cidades.
Errada, porque o ex-escravo não competiu em igualdade com os imigrantes europeus; houve desigualdade de acesso aos postos de trabalho e forte discriminação racial.
- B)No plano econômico, o processo de inserção do negro no sistema de trabalho ocorre de forma precipada em ocupações especializadas.
Errada, porque a inserção do negro não ocorreu de forma precipitada em ocupações especializadas, mas foi em geral precária e restrita a posições menos valorizadas.
- C)O processo de transformação real dos antigos escravos e dos seus descendentes em cidadãos iria começar a ser modelada por medidas de caráter legal.
Errada, porque a ideia de transformação em cidadãos por medidas legais se relaciona mais à cidadania formal após a Abolição, não ao núcleo da análise sobre inserção econômica feita por Florestan e Bastide.
- D)Em conexão com a desorganização do trabalho e com a desintegração da ordem social escravocrata, processou- -se a eliminação parcial do negro no sistema de trabalho.
Certa, porque expressa a exclusão parcial do negro do sistema de trabalho na transição da ordem escravocrata para o trabalho livre.
Gabarito: D
Florestan Fernandes e Roger Bastide analisam a passagem do trabalho escravo para o trabalho livre em São Paulo mostrando que a Abolição não significou, automaticamente, inclusão social. O negro foi jogado em uma nova ordem econômica sem receber, na prática, as mesmas condições de disputa que os imigrantes europeus, que tiveram mais acesso a empregos, treinamento e mobilidade social. Na visão desses autores, a desorganização do trabalho escravocrata e a transição para o capitalismo não produziram uma integração harmoniosa. Pelo contrário: houve uma reconfiguração do mercado de trabalho que empurrou parte da população negra para a marginalização, a subocupação e a exclusão de atividades mais valorizadas. A igualdade formal veio antes da igualdade real, como costuma acontecer quando a História acelera e o bolso não acompanha. É por isso que a alternativa D está correta: ela traduz a ideia de que, com a desintegração da ordem escravocrata, ocorreu a eliminação parcial do negro do sistema de trabalho. Isso não significa desaparecimento físico, mas sim perda de ადგილი nas posições centrais da economia e dificuldade de inserção no novo trabalho livre. A alternativa também conversa com a crítica clássica de Florestan sobre a "integração do negro na sociedade de classes", que mostra como a passagem para o capitalismo brasileiro foi desigual e racializada. Em vez de integração plena, houve um processo de exclusão estrutural que marcou a trajetória social da população negra.