A acumulação flexível foi acompanhada, na ponta do consumo, por uma atenção muito maior às modas fugazes e pela mobilização de todos os artifícios de indução de necessidades e de transformação cultural que isso implica. David Harvey. Condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1992 (com adaptações) Nesse fragmento de texto, o autor versa sobre o processo de acumulação flexível. Assinale a opção em que todas as características apresentadas se referem à acumulação flexível.
- A)estética moderna, universalismo e espetáculo
Errada, porque universalismo e espetáculo não combinam com a lógica flexível, que valoriza fragmentação, imagem e consumo efêmero, e não uma ideia de universalidade estável.
- B)estabilidade, estética moderna e efemeridade
Errada, porque estabilidade é traço da produção rígida, não da acumulação flexível, que se apoia justamente na mudança acelerada e na obsolescência.
- C)moda, mercantilização de formas culturais e estabilidade
Errada, porque moda e mercantilização cultural até dialogam com o tema, mas estabilidade contradiz diretamente a dinâmica mutável e passageira descrita por Harvey.
- D)estética pós-moderna, efemeridade e espetáculo
Certa, porque reúne estética pós-moderna, efemeridade e espetáculo, características centrais da acumulação flexível na lógica do consumo e da cultura.
- E)mercantilização de formas culturais, estética pós-moderna e universalismo
Errada, porque universalismo não é marca da acumulação flexível, que opera mais pela fragmentação cultural, pela imagem e pela diferenciação constante do consumo.
Gabarito: D
David Harvey usa a ideia de acumulação flexível para explicar a fase do capitalismo marcada por produção ajustável, consumo acelerado e valorização do novo o tempo todo. Aqui, o mercado não quer só vender produto: ele também vende estilo, desejo, imagem e sensação de novidade. Por isso aparecem com força traços como estética pós-moderna, efemeridade e espetáculo, isto é, tudo muda rápido, tudo é consumível e tudo vira performance. Na prática, isso contrasta com a lógica fordista, que era mais rígida, padronizada e estável. Na acumulação flexível, a moda dura pouco, a cultura vira mercadoria e o consumo passa a ser guiado por apelos simbólicos, não apenas pela utilidade. É o famoso "compre agora, porque amanhã já saiu de cena". A alternativa correta é a D porque reúne exatamente esses três elementos: estética pós-moderna, efemeridade e espetáculo. A estética pós-moderna aparece na fragmentação, na mistura de estilos e na valorização da imagem; a efemeridade está na rapidez com que gostos e produtos se tornam obsoletos; e o espetáculo aponta para a centralidade da aparência e da sedução no consumo. Esse tema é bem compatível com a leitura de Harvey em diálogo com autores como Fredric Jameson e Guy Debord, que ajudam a entender a sociedade de consumo como uma cultura da imagem e da obsolescência. Em resumo: na acumulação flexível, tudo precisa ser rápido, mutável e chamativo, porque até o desejo entra na linha de produção.