Trata-se de criar o “Estado mínimo”, que apenas estabelece e fiscaliza as regras do jogo econômico, mas não joga. Tudo isso baseado no pressuposto de que a gestão pública ou estatal de atividades direta e indiretamente econômicas é pouco eficaz, ou simplesmente ineficaz. O que está em causa é a busca de maior e crescente produtividade, competitividade e lucratividade, a partir dos mercados nacionais, regionais e mundiais. Daí a impressão de que o mundo se transforma no território de uma vasta e complexa fábrica global. Octavio Ianni. Capitalismo, violência e terrorismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004, p. 313-314 (com adaptações). O texto apresentado se refere a um modelo de Estado específico que emergiu concomitantemente ao processo de globalização da economia e que ficou conhecido como
- A)interventor.
Errada, porque o Estado interventor é o oposto da lógica descrita no texto, já que atua diretamente na economia e não apenas como fiscal das regras.
- B)corporativista.
Errada, porque corporativismo remete à organização de interesses por corporações ou categorias, não à redução do Estado ao papel de regulador do mercado.
- C)neoliberal.
Certa, pois o texto descreve o Estado mínimo, a desregulamentação e a prioridade dada ao mercado, características centrais do neoliberalismo.
- D)policial.
Errada, porque Estado policial se refere ao uso predominante da coerção e da repressão, o que não é o foco do trecho.
- E)socialista.
Errada, porque socialismo pressupõe maior centralidade do Estado na economia e crítica à lógica de mercado, exatamente o contrário do enunciado.
Gabarito: C
O texto descreve uma mudança de papel do Estado na economia: em vez de produzir, planejar e intervir diretamente, ele passa a atuar como regulador, fiscalizador e garantidor das regras do mercado. Essa ideia aparece com força no contexto da globalização, da abertura econômica e das políticas de privatização e desregulamentação que ganharam espaço a partir da crise do modelo do Estado interventor. A lógica é simples: menos Estado na atividade econômica e mais espaço para a iniciativa privada, sob a promessa de maior eficiência, competitividade e lucro. Esse modelo é conhecido como neoliberal. Na prática, ele defende um Estado mais enxuto, com foco em regulação, estabilidade monetária, disciplina fiscal e proteção da concorrência, deixando a execução de muitas atividades para o mercado. Por isso o trecho fala em "Estado mínimo" que "apenas estabelece e fiscaliza as regras do jogo econômico, mas não joga". A linguagem do texto praticamente entrega a resposta de bandeja, com direito a laço e fita. Em Sociologia, isso costuma aparecer ligado à reestruturação produtiva, à globalização e à expansão das relações de mercado em escala mundial. Octavio Ianni destaca justamente essa "fábrica global", expressão que ajuda a entender como a economia passa a funcionar de forma integrada e competitiva em nível internacional. Logo, o gabarito é a letra C, porque o enunciado descreve o Estado neoliberal, típico do ciclo de valorização do mercado, privatizações e redução da intervenção estatal direta.