Povo não pode ser sempre o coletivo de fome. Povo não pode ser um séquito sem nome. Povo não pode ser o diminutivo de homem. O povo, aliás, deve estar cansado desse nome, embora seu instinto o leve à agressão e embora aumentativo de fome possa ser revolução. Affonso Romano de Sant’Anna. Que país é este? No poema anterior, os últimos seis versos podem ser interpretados como deterioração das condições materiais de existência. Essa ideia está de acordo com a perspectiva de transformação social do sociólogo
- A)Alfred Schütz.
Schütz não é a referência clássica para transformação social por deterioração material; ele trabalha com fenomenologia e mundo da vida.
- B)Émile Durkheim.
Durkheim se concentra em coesão, solidariedade e fatos sociais, não em revolução gerada por miséria econômica.
- C)Max Weber.
Weber analisa a ação social e os sentidos atribuídos pelos indivíduos, em vez de explicar a mudança social pela base material.
- D)Norbert Elias.
Elias estuda processos de longa duração, como civilização e interdependência social, não a luta de classes como motor da transformação.
- E)Karl Marx.
Marx relaciona desigualdade material, exploração e luta de classes à transformação social, por isso a alternativa está correta.
Gabarito: E
O poema fala de um povo reduzido à fome, sem nome, sem identidade e sem condições dignas de vida. Em Sociologia, quando a análise da mudança social parte da ideia de que a miséria material empurra os grupos humanos para conflito e transformação histórica, a referência clássica é Karl Marx. Para ele, a base econômica da sociedade influencia as demais relações sociais, e a luta de classes nasce justamente dessas condições desiguais de existência. No texto, a expressão "aumento de fome pode ser revolução" combina bem com essa leitura: quando a exploração e a escassez se agravam, cresce a possibilidade de ruptura social. Isso não é uma explicação moral da revolta, mas materialista, isto é, centrada na estrutura econômica e nas contradições entre classes. É por isso que o gabarito é a letra E. Marx entende a sociedade como dinâmica e histórica, movida por contradições entre grupos com interesses opostos. Em termos de concurso, sempre que aparecer pobreza, exploração, desigualdade e transformação social por conflito, acenda a luz vermelha do marxismo. As outras teorias não explicam tão diretamente essa relação entre miséria material e revolução. Durkheim olha mais para coesão social e normas, Weber para ação social e sentido, Schütz para a sociologia fenomenológica, e Elias para processos civilizatórios e interdependências de longo prazo.