Para o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a escola é uma instituição que opera com as desigualdades sociais. Com base na concepção de Bourdieu a respeito da escola, é correto afirmar que
- A)a escola serve, antes de tudo, à crítica da ordem social vigente.
Errada, porque para Bourdieu a escola não serve прежде de tudo à crítica da ordem vigente, e sim pode reforçar a ordem social existente.
- B)a escola é um espaço de reprodução da visão de mundo e do conhecimento dos pobres.
Errada, porque a escola reproduz principalmente a cultura dominante, não a visão de mundo e o conhecimento dos pobres.
- C)as desigualdades sociais são bloqueadas a partir do momento em que o estudante adentra o espaço escolar.
Errada, porque a escola não bloqueia automaticamente as desigualdades ao começar o percurso escolar; muitas delas continuam atuando dentro dela.
- D)os hábitos dos pais, como ler e ir a museus, podem servir de barreiras ao desempenho escolar de estudantes das classes dominantes.
Errada, porque hábitos como ler e ir a museus costumam favorecer, e não prejudicar, o desempenho escolar, sobretudo por serem formas de capital cultural.
- E)os capitais econômicos e culturais incorporados anteriormente ao ingresso na escola são fatores que influenciam o desempenho do estudante, portanto sua condição de origem importa para seu sucesso escolar.
Certa, porque Bourdieu sustenta que o capital econômico e cultural herdado antes da escola influencia o rendimento e o sucesso escolar.
Gabarito: E
Pierre Bourdieu ajuda a entender a escola não como uma máquina neutra de mérito, mas como uma instituição que também pode reproduzir desigualdades sociais. A ideia central é que os alunos não chegam à sala de aula com as mesmas condições de partida: cada um traz um conjunto de recursos, valores, hábitos e referências culturais aprendidos na família e no meio social. Esse conjunto anterior influencia muito o rendimento escolar. Quem já cresceu em um ambiente com mais livros, apoio à leitura, visitas a museus, linguagem valorizada pela escola e maior familiaridade com o chamado "capital cultural" tende a se adaptar melhor às exigências escolares. Isso não significa que o esforço individual não conte, mas sim que o ponto de largada não é igual para todos. Por isso, a escola muitas vezes acaba tratando como "natural" o desempenho de quem já chega com esses códigos culturais, enquanto tende a penalizar quem não os possui. Em linguagem de prova, Bourdieu critica a escola como espaço de reprodução das desigualdades e da cultura dominante, não como solução automática para elas. É exatamente essa a lógica da alternativa E: os capitais econômico e cultural acumulados antes da entrada na escola influenciam o desempenho do estudante, então sua origem social importa para o sucesso escolar. É a leitura bourdieusiana clássica: a trajetória escolar não começa no portão da escola, mas bem antes, dentro da família e da posição social de origem.