Com relação às variadas formas de desigualdade social que se reproduzem até hoje na história do Brasil, assinale a opção correta.
- A)A abolição do sistema escravocrata no Brasil não eliminou a desigualdade social entre brancos e negros estruturada desde o período escravocrata e, em alguns contextos, até a aprofundou.
Certa, porque a abolição extinguiu a escravidão, mas não eliminou a desigualdade racial herdada, que continuou e até se intensificou em vários contextos.
- B)A precarização do trabalho é um fenômeno decorrente da globalização e não é importante para explicar desigualdades sociais no Brasil.
Errada, porque a precarização do trabalho é central para explicar desigualdades no Brasil e não pode ser tratada como irrelevante.
- C)A desigualdade de gênero é um fenômeno historicamente ausente na estrutura social brasileira.
Errada, porque a desigualdade de gênero sempre fez parte da estrutura social brasileira, com diferenças históricas de acesso a direitos e oportunidades.
- D)As desigualdades regionais no Brasil não refletem as etapas históricas pelas quais o país passou.
Errada, porque as desigualdades regionais refletem fortemente a formação histórica do país, com concentração de riqueza e desenvolvimento em áreas específicas.
- E)A desigualdade de renda no Brasil não é influenciada por fatores como raça, região e gênero.
Errada, porque a desigualdade de renda no Brasil é influenciada justamente por raça, região e gênero, entre outros fatores sociais.
Gabarito: A
A desigualdade social no Brasil não nasceu ontem e nem desaparece só porque a lei mudou. Um bom exemplo é a passagem da escravidão para a liberdade formal após a Lei Áurea, em 1888: a abolição acabou com a escravidão como instituição jurídica, mas não entregou terra, escola, renda, proteção social ou reparação para a população negra. Resultado? A hierarquia racial continuou operando na prática, agora por meio do mercado de trabalho, da segregação urbana e do acesso desigual a oportunidades. Por isso, a ideia de que a abolição resolveu o problema racial está errada. A sociologia brasileira mostra que a desigualdade entre brancos e negros foi historicamente produzida e reproduzida por estruturas sociais, econômicas e políticas, e não apenas por atitudes individuais. Autores como Florestan Fernandes ajudam a entender que a integração do negro na sociedade de classes ocorreu de forma incompleta e desigual. A alternativa A está correta porque reconhece exatamente esse ponto: a abolição não eliminou a desigualdade racial e, em muitos contextos, até a aprofundou, já que os libertos foram deixados à própria sorte, sem políticas de inclusão. É o tipo de mudança legal que parece moderna no papel, mas mantém o velho problema vivo na prática. As demais opções erram porque tratam desigualdades como se fossem fenômenos secundários ou inexistentes. No Brasil, raça, gênero, região e renda se cruzam o tempo todo, formando um quadro bem mais complexo. Em provas de sociologia, desconfie de frases com "não influencia", "não existe" ou "não é importante": quase sempre é armadilha de concurso.