A doutrina dominante do Gerenciamento de Crises indica as seguintes alternativas táticas: (i) negociação; (ii) técnicas não letais; (iii) tiro de comprometimento; e (iv) invasão tática. A respeito da alternativa tática da negociação, é correto afirmar que se caracteriza:
- A)pela utilização de métodos para resolver um determinado litígio de modo a preservar as vidas das pessoas envolvidas na situação;
Certa: a negociação busca solucionar a crise por meio do diálogo, com prioridade à preservação das vidas das pessoas envolvidas.
- B)pelo emprego de técnicas que otimizam a efetividade do risco, ou seja, risk effectiveness;
Errada: "risk effectiveness" se relaciona à escolha de meios táticos mais adequados ao risco, não caracteriza a negociação.
- C)pela intenção de redução dos efeitos sobre o causador do evento crítico, não de sua eliminação;
Errada: isso descreve o emprego de técnicas não letais, voltadas a reduzir efeitos sobre o causador do evento crítico.
- D)pelo fato de ser a última alternativa tática empregada na resolução da crise;
Errada: a invasão tática é medida extrema e não a primeira nem a última alternativa tática da doutrina.
- E)pela ação de uma liderança que tenha uma ampla visão do cenário em que se desenrolam os acontecimentos.
Errada: liderança com visão ampla é característica gerencial importante, mas não define especificamente a alternativa tática da negociação.
Gabarito: A
No Gerenciamento de Crises, a negociação é a alternativa tática mais nobre e mais “humana” da lista: ela busca convencer, dialogar e reduzir o conflito sem precipitação, sempre com foco na preservação de vidas. A lógica é simples: antes de pensar em força, entra em cena a conversa estratégica, conduzida por negociadores treinados para ganhar tempo, criar vínculo e desescalar a tensão. A doutrina de segurança pública costuma apresentar as alternativas táticas nessa ordem de preferência: negociação, técnicas não letais, tiro de comprometimento e invasão tática. Isso reflete a ideia de uso progressivo da força e de prioridade absoluta à vida, muito ligada à doutrina de gerenciamento de crises difundida em manuais policiais e administrativos. Por isso, o item A está correto: negociar é justamente utilizar métodos para resolver o litígio de modo a preservar as vidas das pessoas envolvidas na situação. A negociação não é para “vencer” o criminoso, mas para controlar a crise, reduzir riscos e abrir caminho para uma solução segura. As demais alternativas descrevem outras ideias da doutrina, mas não a negociação em si. A banca costuma misturar conceitos parecidos para ver se você confunde mediação verbal com ação tática, então vale guardar o macete: negociação = tempo, diálogo e proteção da vida.