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Segurança Pública · FGV · 2024

Questão comentada de Segurança Pública

Caio, João e Pedro, policiais civis, realizaram blitz de rotina na principal avenida do município Alfa. Jorge, motorista de transporte por aplicativo, estava conduzindo seu veículo automotor com dois passageiros, uma mulher em trabalho de parto avançado e seu marido, quando foram interpelados pelos policiais civis, que ordenaram a parada do veículo e apontaram armas de fogo para todos no interior do carro conduta que se repetia indiscriminadamente com todos os demais veículos que passavam no local. Assustado com as armas de fogo apontada para si e diante da situação emergencial em que se encontravam, Jorge, visivelmente desarmado, assinalou para os policiais que estava com pressa em razão do trabalho de parto da passageira e dirigiu lentamente o carro, em direção à maternidade. Os policiais consideraram que Jorge estava em fuga, e dispararam contra o veículo, alvejando os dois passageiros, que vieram a óbito no local. De acordo com a Portaria Interministerial nº 4.226/10, que trata das Diretrizes sobre o Uso da Força pelos Agentes de Segurança Pública, é correto afirmar que as condutas de Caio, João e Pedro no que tange a apontar arma de fogo contra pessoas durante os procedimentos de abordagem e a usar arma de fogo contra pessoa desarmada em fuga foram, respectivamente,

Gabarito: A

A Portaria Interministerial nº 4.226/2010 estabelece diretrizes bem claras para o uso da força por agentes de segurança pública: a atuação deve ser legal, necessária, proporcional e progressiva. Em abordagem policial, a lógica não é sair apontando arma para todo mundo como se fosse cena de filme, mas sim adotar medidas compatíveis com o risco concreto da situação. Por isso, apontar arma de fogo de forma rotineira e indiscriminada durante blitz ou procedimento de abordagem é conduta inadequada. A própria portaria veda o uso de arma de fogo contra pessoa em fuga desarmada, contra veículo que desrespeite bloqueio policial ou ordem de parada, salvo se houver risco imediato de morte ou lesão grave aos agentes ou a terceiros. Ou seja: fugir não autoriza, por si só, o tiro. No caso narrado, Jorge estava visivelmente desarmado, transportava uma gestante em trabalho de parto avançado e indicou a urgência do deslocamento. Mesmo que os policiais tenham interpretado a movimentação como fuga, a portaria não permite disparar automaticamente nessas hipóteses. O uso da força letal exige ameaça concreta e atual, não suposição apressada. Assim, o gabarito A está correto porque a primeira conduta foi inadequada ao tratar a arma como rotina de abordagem, e a segunda também foi ilícita, já que o disparo contra veículo em fuga só seria admitido em situação de risco imediato de morte ou lesão grave, o que não aparece no enunciado.

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