Considerando o quadro clínico do transtorno delirante persistente (ou paranoia), marcado pela inflexibilidade das crenças delirantes e pela limitada responsividade ao tratamento com antipsicóticos, assinale a alternativa que descreve corretamente as características centrais desse transtorno.
- A)Alucinações visuais e auditivas, dominantes em sua apresentação, frequentemente associadas a crenças delirantes difusas e não sistematizadas.
Errada, porque alucinações dominantes e crenças difusas e não sistematizadas sugerem outro transtorno psicótico, e não o delírio persistente clássico.
- B)Delírios de grandeza, frequentemente acompanhados de alucinações auditivas elaboradas e baixa responsividade ao tratamento medicamentoso.
Errada, porque delírios de grandeza com alucinações auditivas elaboradas apontam mais para psicose com alucinações marcantes, não para paranoia típica.
- C)Delírios persistentes, acompanhados de alterações amplas na personalidade e na funcionalidade, com resposta moderada a antipsicóticos e remissão frequente após tratamento intensivo.
Errada, porque o transtorno delirante persistente não costuma causar alteração ampla da personalidade e da funcionalidade nem remissão frequente após tratamento intensivo.
- D)Delírios sistematizados, geralmente de perseguição ou ciúme, com forte rigidez ideativa, manutenção das funções cognitivas gerais e resistência a intervenções farmacológicas.
Certa, porque descreve exatamente o núcleo do transtorno delirante persistente: delírios sistematizados, preservação geral das funções cognitivas e resistência a antipsicóticos.
- E)Início agudo de sintomas psicóticos, com progressão rápida para deterioração funcional, sendo os delírios secundários às alucinações primárias.
Errada, porque início agudo com rápida deterioração e delírios secundários a alucinações primárias não caracteriza paranoia, mas outro quadro psicótico.
Gabarito: D
O transtorno delirante persistente, também chamado de paranoia, é marcado por delírios bem organizados e duradouros, sem o desorganização global que você costuma ver em outros quadros psicóticos. Em geral, a pessoa mantém cognição, linguagem e funcionamento relativamente preservados fora do tema delirante. Ou seja: o delírio domina um pedaço da vida, mas não derruba o resto inteiro do psiquismo. Na prática, os delírios mais comuns são de perseguição, ciúme, erotomania, grandeza ou somáticos, quase sempre com forte convicção e pouca crítica. Eles tendem a ser sistematizados, isto é, coerentes dentro da lógica do paciente, ainda que estejam errados do ponto de vista da realidade. A responsividade aos antipsicóticos costuma ser limitada, e o manejo muitas vezes exige acompanhamento prolongado e abordagem psicossocial, além da medicação. É justamente isso que a alternativa D descreve: delírios sistematizados, geralmente de perseguição ou ciúme, com rigidez ideativa, preservação relativa das funções cognitivas gerais e resistência ao tratamento farmacológico. A doutrina psiquiátrica clássica diferencia esse quadro da esquizofrenia pela ausência de deterioração global importante e pela menor presença de sintomas como alucinações proeminentes, desorganização e sintomas negativos. Nos sistemas classificatórios atuais, esse quadro aparece como transtorno delirante no DSM-5 e como transtorno delirante persistente em classificações mais tradicionais. Resumo de prova: pense em um delírio que vem com cara de teimosia crônica, não de confusão mental generalizada. Se a alternativa fala em sistema, rigidez e preservação funcional fora do delírio, você está no caminho certo.