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Psiquiatria · CS-UFG · 2023

Questão comentada de Psiquiatria

Leia o caso a seguir. Um estudante da Faculdade de Farmácia, jovem, 25 anos, homem, fazia tratamento para episódio depressivo desde os 22 anos, com uso de 40 mg/dia de fluoxetina. Foi descontinuada sua medicação. Uma semana após a retirada completa da medicação, o estudante começou a apresentar maior inquietação, menor necessidade de sono, evoluindo para euforia. Deixou de frequentar as aulas, dizendo que já sabia todo o conteúdo e era melhor que qualquer professor. Apresentou aumento da libido, com comportamento de risco. Há dois dias, extremamente eufórico, foi ao Reitor da Universidade dizendo que seria ele o próximo reitor, pois era muito inteligente para ser apenas um aluno. Pelo risco de agressividade, foi levado ao pronto socorro psiquiátrico e encaminhado à internação. O diagnóstico desse estudante é

Gabarito: D

Esse caso descreve um episódio maníaco clássico: humor eufórico, redução da necessidade de sono, grandiosidade, aumento de libido, desinibição e risco de agressividade, a ponto de precisar de internação. Em Psiquiatria, quando aparece um episódio de mania, o diagnóstico passa a ser Transtorno Bipolar do Humor tipo I, mesmo que o paciente antes fosse tratado como depressivo. Isso porque o Bipolar I é definido pela presença de pelo menos um episódio maníaco, com ou sem episódios depressivos prévios. O detalhe da fluoxetina pode confundir, mas aqui ele não fecha melhor como transtorno induzido por substância. O quadro surge uma semana após a retirada completa da medicação e tem evolução compatível com mania verdadeira, não apenas uma oscilação leve ou transitória. Em provas, a banca costuma testar exatamente essa armadilha: paciente com história de depressão que, depois, apresenta mania. A leitura correta é que o diagnóstico muda para bipolaridade tipo I. Não é episódio misto porque não há sintomas depressivos relevantes convivendo com a mania, como tristeza intensa, anedonia ou desesperança simultâneas. Também não é transtorno disruptivo de desregulação do humor, pois esse diagnóstico é da infância e adolescência, com irritabilidade crônica e explosões de raiva, não com mania franca em adulto. Resumo prático: se apareceu mania, pense em Transtorno Bipolar tipo I. A internação reforça a gravidade do episódio e não altera o eixo do diagnóstico, só confirma que o quadro foi importante o bastante para risco psiquiátrico e comportamental.

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