De acordo com as diretrizes do Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) e da International Society for Bipolar Disorders (ISBD), de 2018, acerca do uso do lítio e do ácido valproico (AVP) no manejo do episódio maníaco em populações não específicas, é INCORRETO o que se afirma em:
- A)O lítio tende a ser preferido ao AVP no tratamento dos pacientes com histórico de Transtorno Bipolar que cursa com a sequência mania-depressão-eutimia.
Correta: o lítio tende a ser preferido em pacientes com mania mais clássica e curso bipolar do tipo mania-depressão-eutimia.
- B)O lítio tende a ser preferido ao AVP no tratamento dos pacientes com mania eufórica.
Correta: em mania eufórica, o lítio costuma ser a escolha favorecida pelas diretrizes.
- C)O AVP é recomendado no tratamento dos pacientes com mania associada a características mistas.
Correta: o AVP é recomendado quando a mania tem características mistas.
- D)O lítio tende a ser preferido ao AVP no tratamento dos pacientes que tenham histórico de trauma craniano. .
Errada: em histórico de trauma craniano, a preferência não é pelo lítio, e sim pelo AVP.
- E)O AVP é recomendado no tratamento dos pacientes em mania que fazem uso comórbido de substâncias.
Correta: o AVP é recomendado em mania associada ao uso comórbido de substâncias.
Gabarito: D
Nas diretrizes CANMAT/ISBD 2018, tanto o lítio quanto o ácido valproico (AVP) são opções importantes no episódio maníaco, mas a escolha costuma mudar conforme o “perfil” do paciente. Em mania mais clássica, eufórica, o lítio tende a levar vantagem. Já em quadros com características mistas, uso comórbido de substâncias e outros cenários mais “bagunçados”, o AVP costuma ser mais lembrado pela banca e pelas diretrizes. O ponto central da questão é que o histórico de trauma craniano não favorece o lítio. Nessa situação, o AVP é geralmente preferido, porque o lítio pode ser mais problemático em pacientes com maior vulnerabilidade neurológica e risco de efeitos adversos. Então a alternativa D inverte a lógica recomendada pelas diretrizes, por isso está incorreta. Em resumo: lítio para mania eufórica e padrão mais clássico; AVP para mania mista, uso de substâncias e contextos em que o perfil clínico pede mais cautela com o lítio. A banca gosta de cobrar exatamente esse “quando trocar a preferência”, então vale decorar o raciocínio, não só a lista. Como a questão cita a CANMAT/ISBD 2018, o fundamento aqui é estritamente doutrinário, das diretrizes psiquiátricas, sem pegadinha de lei ou jurisprudência. O erro está na associação entre trauma craniano e preferência pelo lítio.