Parte significativa de adultos com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) relatam início do seu quadro na infância. Esta constatação levou a uma maior identificação das crianças e dos adolescentes com TOC, permitindo seus encaminhamentos para tratamento. Sobre o tratamento e a evolução dos pacientes pediátricos com TOC, assinale a alternativa correta.
- A)A terapia cognitiva comportamental mostrou-se discretamente inferior ao uso de inibidores seletivos da recaptura de serotonina
Errada, porque a terapia cognitivo-comportamental não é inferior aos ISRS no TOC infantil e frequentemente é tratamento de primeira linha.
- B)Quando o tratamento por meio da Terapia Cognitivo Comportamental não leva à melhora dos sintomas por 12 semanas, deve ser introduzida psicofármacos
Errada, porque não existe essa regra fixa de esperar 12 semanas para só então introduzir psicofármacos, já que a decisão depende da gravidade e da resposta clínica.
- C)Em geral, os efeitos colaterais dos inibidores seletivos de recaptura de serotonina são bem tolerados pelas crianças e são transitórios
Certa, pois os ISRS costumam ter efeitos colaterais geralmente bem tolerados e transitórios em crianças e adolescentes com TOC.
- D)A Clomipramina é a droga de escolha como primeira linha, salvo situações em que haja contraindicações ao seu uso
Errada, porque a clomipramina não é a droga de primeira linha na maioria dos casos pediátricos, apesar de ter eficácia no TOC.
- E)Entre os antidepressivos tricíclicos apenas a Clomipramina e a Imipramina demonstraram eficácia no tratamento do TOC
Errada, porque não são apenas esses tricíclicos que têm evidência, e além disso os tricíclicos não são a base do tratamento do TOC infantil.
Gabarito: C
No TOC pediátrico, o tratamento costuma girar em torno de duas ferramentas principais: terapia cognitivo-comportamental, especialmente com exposição e prevenção de resposta, e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Em geral, a psicoterapia é muito importante, e os remédios entram quando os sintomas são mais intensos, há prejuízo funcional importante ou a resposta à terapia não foi suficiente. Nas crianças e adolescentes, os ISRS costumam ser bem tolerados. Claro, como todo psicofármaco, podem ocorrer efeitos adversos, mas eles tendem a ser leves, transitórios e manejáveis na maior parte dos casos, o que explica por que essa classe é tão usada na prática pediátrica. A alternativa correta é a letra C porque descreve justamente esse ponto: os efeitos colaterais dos ISRS, em geral, são tolerados pelas crianças e costumam ser passageiros. Isso faz parte do raciocínio terapêutico do TOC infantil, em que o benefício clínico frequentemente compensa bem o risco, desde que haja acompanhamento adequado. Vale lembrar uma armadilha clássica de prova: a clomipramina tem eficácia no TOC, mas não costuma ser a primeira escolha em pediatria por perfil de efeitos adversos menos favorável. Em concurso, quando aparecer TOC infantil, pense primeiro em terapia cognitivo-comportamental e ISRS, não em antidepressivo tricíclico como protagonista.