Entre as frases abaixo, assinale aquela que consiste em critério para o diagnóstico de Transtorno de Escoriação, de acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-5).
- A)As lesões podem ser provocadas por uma outra pessoa, com a conivência do paciente
Errada: o transtorno de escoriação envolve a própria pessoa lesionando a pele, não lesões provocadas por terceiro com conivência do paciente.
- B)As lesões provocadas raramente causam sofrimento psíquico significativo
Errada: o critério exige sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo, então não é um quadro em que as lesões raramente causam sofrimento psíquico.
- C)Pode ocorrer no curso de Transtorno dismórfico corporal ou quadro delirante
Errada: no DSM-5, o transtorno de escoriação não é simplesmente explicado por transtorno dismórfico corporal ou quadro delirante; esses diagnósticos entram na exclusão ou no diferencial.
- D)As áreas feridas frequentemente são as mesmas e ao alcance das mãos do paciente
Errada: embora as áreas costumem ser acessíveis, a formulação da alternativa está imprecisa e não corresponde a um critério diagnóstico central do DSM-5.
- E)Há tentativas repetidas de reduzir ou parar o comportamento de lesar a pele
Certa: o DSM-5 inclui como critério as tentativas repetidas de diminuir ou interromper o comportamento de beliscar/lesar a pele.
Gabarito: E
O Transtorno de Escoriação, no DSM-5, é aquele quadro em que a pessoa fica repetidamente cutucando, beliscando ou machucando a própria pele, a ponto de causar lesões. Não é "mania boba": costuma gerar feridas, marcas e sofrimento, além de muita dificuldade para controlar o impulso. O diagnóstico pede que esse comportamento leve a lesões na pele e que a pessoa já tenha tentado parar ou reduzir, mas sem sucesso duradouro. Um ponto importante é que o comportamento precisa causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento, como vergonha, isolamento, perda de tempo ou complicações dermatológicas. O DSM-5 também exige que o problema não seja melhor explicado por outra condição, como efeitos de substâncias, doença médica, outro transtorno mental ou comportamento repetitivo sem lesão real. É aqui que a alternativa E entra certinha: "há tentativas repetidas de reduzir ou parar o comportamento de lesar a pele". Isso é literalmente um dos critérios diagnósticos do transtorno. Ou seja, não basta a pessoa se ferir; existe também a dificuldade persistente de controlar o ato, que é uma marca clássica do diagnóstico. Resumo de prova: lesiona a pele, tenta parar, mas não consegue de forma consistente, e isso traz sofrimento ou prejuízo. Se a questão te jogar para "é só coçar um pouco" ou "não incomoda tanto", desconfie: o DSM-5 quer um quadro bem mais persistente e clinicamente relevante.