O sistema de Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição (CID-10), apresenta uma organização diagnóstica muito parecida com uma árvore de decisões, de modo que assim algumas opções diagnósticas podem ocorrer na presença de outras. Em relação à diagnósticos que podem ocorrer simultaneamente, assinale a alternativa correta.
- A)Esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo
Errada, porque esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo são diagnósticos que se sobrepõem e a CID-10 trata essa relação com critérios de diferenciação, não de coexistência simples.
- B)Transtorno do espectro autista e transtorno de déficit de atenção/hipereatividade
Errada, porque TEA e TDAH podem coexistir na clínica, mas a CID-10 é mais restritiva e não organiza essa dupla como uma associação diagnóstica simultânea clássica.
- C)Transtorno afetivo bipolar e episódio depressivo maior
Errada, porque transtorno afetivo bipolar e episódio depressivo maior não são colocados juntos como diagnósticos independentes na CID-10, já que o bipolaridade reorganiza o quadro afetivo.
- D)Episódio depressivo menor e transtorno de estresse pós-traumático
Certa, porque episódio depressivo menor e transtorno de estresse pós-traumático são diagnósticos distintos e podem ocorrer simultaneamente na CID-10.
Gabarito: D
A CID-10 funciona, em parte, como uma árvore de decisão: você vai afunilando o diagnóstico e, em alguns pontos, uma condição exclui a outra. Então não basta olhar os sintomas soltos, porque a classificação tenta evitar que você dobre a ficha do paciente sem necessidade. A lógica é: se um quadro já explica melhor a apresentação, ele pode bloquear ou substituir outro diagnóstico mais específico. Na prática, alguns transtornos podem coexistir sem problema, especialmente quando não são mutuamente excludentes. É aí que mora a maldade da questão: a banca quer que você identifique quais diagnósticos a CID-10 permite registrar juntos. O item correto é o de episódio depressivo menor e transtorno de estresse pós-traumático, porque são condições distintas e podem ocorrer no mesmo paciente, funcionando como comorbidade. Já as outras combinações costumam esbarrar em regras de exclusão ou sobreposição diagnóstica. Em especial, a CID-10 é mais rígida do que a gente imagina em algumas categorias, justamente para não misturar entidades que pertencem ao mesmo espectro ou que já se reorganizam dentro de um diagnóstico mais abrangente. Em resumo: no enunciado, a ideia não é perguntar o que "pode existir na vida real", mas o que a CID-10 aceita simultaneamente como diagnóstico. E o par depressão menor + TEPT passa tranquilo por essa porta.