Homem, 68 anos, é trazido para o atendimento por familiares devido a quadro de letargia, memória recente comprometida, pensamento desorganizado, fragmentado, com comprometimento da atenção, com progressão de uma semana. Observados dois episódios de alucinação nesse período. Familiares negam diabetes, hipertensão, uso de álcool e drogas ilícitas. Desconhecem comportamento promíscuo ou contato com pessoas com doenças infectocontagiosas. Qual a hipótese diagnóstica mais provável com base na situação descrita?
- A)Delirium.
Correta, porque o início agudo, a atenção comprometida e a desorganização do pensamento com alucinações são típicos de delirium.
- B)Doença de Alzheimer.
Errada, porque Alzheimer costuma ter evolução lenta e progressiva, não surgindo em apenas uma semana com flutuação importante.
- C)Demência vascular.
Errada, porque a demência vascular geralmente tem curso mais crônico ou em degraus, e não esse quadro súbito de confusão aguda.
- D)Depressão.
Errada, porque depressão pode simular lentificação e baixa energia, mas não costuma causar desatenção marcada e confusão aguda como quadro principal.
- E)Hipotireoidismo.
Errada, porque hipotireoidismo pode causar lentificação mental, mas a instalação rápida com alucinações e alteração global da atenção favorece delirium.
Gabarito: A
Aqui a palavra-chave é tempo de instalação: em apenas uma semana, com piora aguda de atenção, pensamento desorganizado, memória recente prejudicada e episódios de alucinação, o quadro aponta muito mais para delirium do que para demência. No delirium, a pessoa fica “desencaixada” do ambiente, com atenção flutuante, confusão e alteração do nível de consciência, quase sempre por causa clínica ou medicamentosa até prova em contrário. Em idosos, esse diagnóstico merece atenção redobrada porque pode parecer uma doença psiquiátrica ou uma demência “aparecendo do nada”, mas o início rápido denuncia o problema. A memória pode falhar, o pensamento fica fragmentado e a percepção pode enganar com alucinações. Ou seja: não é um quadro crônico e progressivo de meses ou anos, e sim algo agudo, com cara de urgência médica. As demências, como Alzheimer ou vascular, costumam evoluir de forma mais lenta e sustentada. Depressão pode dar lentificação e queixas cognitivas, mas não costuma cursar com essa rebaixada de atenção e desorganização súbita. Hipotireoidismo também pode simular apatia e lentidão, porém a instalação em uma semana com flutuação e alucinações faz delirium disparar na frente. Na prática de prova, pense assim: alteração aguda da atenção + desorganização + flutuação + possível alucinação em idoso = delirium até prova em contrário. É o tipo de quadro em que o cérebro está pedindo socorro, não um transtorno neurodegenerativo se instalando lentamente.