Uma criança de 8 anos vem apresentando, há dois anos, um temperamento cronicamente irritável, com explosões de raiva desproporcionais praticamente diárias. Essas explosões são severas em alguns ambientes, por vezes acompanhadas de agressões aos pares e a si mesma. Como ocorrem principalmente na escola e em casa, vem havendo prejuízo nas relações socias da criança nesses ambientes. Além disso, ela vivencia o divórcio conturbado dos pais, negligência emocional por parte da mãe, além de transtornos psiquiátricos na família. Com base no caso relatado, o diagnóstico mais adequado é transtorno
- A)da conduta.
Errada, porque transtorno da conduta exige padrão persistente de violação de normas e direitos alheios, o que não é o foco principal do caso.
- B)disruptivo da desregulação do humor.
Certa, porque há irritabilidade crônica, explosões de raiva desproporcionais, prejuízo em casa e na escola e início na infância, compatíveis com transtorno disruptivo da desregulação do humor.
- C)explosivo intermitente.
Errada, porque o transtorno explosivo intermitente não pede irritabilidade persistente entre as crises e costuma ter um padrão menos crônico do humor.
- D)de ansiedade de separação.
Errada, porque ansiedade de separação envolve medo excessivo de afastamento dos cuidadores, e não explosões agressivas com humor irritável crônico.
- E)de oposição desafiante.
Errada, porque transtorno de oposição desafiante cursa com comportamento negativista e desafiador, mas aqui o quadro é mais grave, com irritabilidade persistente e explosões intensas em múltiplos contextos.
Gabarito: B
O quadro descreve uma criança com irritabilidade crônica, explosões de raiva frequentes e desproporcionais, com início antes dos 10 anos e prejuízo em mais de um contexto, como casa e escola. Esse conjunto aponta para o transtorno disruptivo da desregulação do humor, que foi criado justamente para separar crianças que vivem como se estivessem com o "botão de irritação" travado no máximo, sem preencher o perfil clássico de bipolaridade. A ideia central aqui é: não é apenas uma criança "difícil" ou oposicionista, mas alguém com humor persistentemente irritável entre as crises, e não só explosões isoladas. No DSM-5, esse transtorno exige crises graves e recorrentes, além de irritabilidade persistente na maior parte do tempo, em pelo menos dois ambientes, com início antes dos 10 anos e duração de 12 meses ou mais. O caso também traz fatores psicossociais estressores, como divórcio conturbado e negligência emocional, que podem piorar o comportamento, mas não explicam sozinhos o diagnóstico. O ponto decisivo é o padrão crônico de desregulação do humor, e não apenas desobediência, agressividade esporádica ou ansiedade de separação. Em concurso, vale lembrar que o transtorno disruptivo da desregulação do humor foi incluído no DSM-5 como forma de reduzir o superdiagnóstico de transtorno bipolar em crianças. Então, quando aparecer irritabilidade persistente + explosões severas e frequentes + prejuízo em vários ambientes, acenda a luz amarela para ele.