Um homem de 35 anos, com diagnóstico prévio de transtorno bipolar, encontra-se internado em uma unidade psiquiátrica devido a uma exacerbação do quadro afetivo. Nas últimas 48 horas, a equipe observou que o paciente apresenta uma mudança comportamental significativa. Durante as avaliações, foram notados os seguintes sinais: imobilidade acentuada com manutenção de posturas corporais incomuns, caretas, mutismo e negativismo. Foi realizada tomografia de crânio, que não evidenciou novas lesões ou alterações estruturais. Acerca desse quadro clínico, o melhor diagnóstico é:
- A)catatonia;
Correta: o conjunto imobilidade, posturas anormais, mutismo, negativismo e caretas é típico de catatonia.
- B)delirium hipoativo;
Errada: delirium hipoativo causa rebaixamento da atenção e da consciência, com flutuação, e não esse padrão motor catatônico.
- C)delirium hiperativo;
Errada: delirium hiperativo cursa com agitação, desatenção e confusão, o oposto da imobilidade descrita.
- D)parkinsonismo medicamentoso;
Errada: parkinsonismo medicamentoso dá lentificação, rigidez e tremor, mas não costuma provocar mutismo, negativismo e posturas bizarras.
- E)síndrome neuroléptica maligna.
Errada: síndrome neuroléptica maligna costuma ter febre, rigidez importante e instabilidade autonômica, achados não informados no caso.
Gabarito: A
Catatonia é uma síndrome psicomotora em que o paciente pode ficar “travado”, com redução ou ausência de resposta motora e comportamentos bem característicos, como mutismo, negativismo, imobilidade, posturas bizarras, caretas e até eco de fala ou de movimentos. Em prova, ela costuma aparecer associada a transtornos do humor, esquizofrenia, condições clínicas e uso de substâncias, então vale sempre olhar o contexto inteiro e não só o diagnóstico psiquiátrico de base. Aqui, o quadro é muito sugestivo de catatonia: houve mudança comportamental aguda, imobilidade acentuada, manutenção de posturas incomuns, caretas, mutismo e negativismo. Esse conjunto é clássico e encaixa como uma luva no estado catatônico. A tomografia sem alterações ajuda a afastar uma causa estrutural neurológica para o comportamento, mas o diagnóstico é clínico. O pulo do gato é não confundir catatonia com delirium. No delirium, especialmente o hipoativo, o que chama atenção é rebaixamento da atenção e da consciência, com flutuação do estado mental e desorientação. Já na catatonia, o núcleo é a alteração motora e comportamental, com sinais como posturing, mutismo e negativismo. A pessoa pode até estar desperta, mas “preso no corpo”. Outro erro comum é pensar em síndrome neuroléptica maligna quando vê rigidez e internação psiquiátrica. Mas ali você esperaria febre, rigidez muscular intensa, instabilidade autonômica e aumento de CPK, geralmente após uso de antipsicótico. Neste caso, o quadro descrito bate muito mais com catatonia, que é o gabarito A.