O transtorno de transe e possessão é de grande relevância na psiquiatria forense. Sobre esse transtorno, é correto afirmar que:
- A)ocorre na síndrome de Ganser;
Errada, porque a síndrome de Ganser é outra entidade, mais ligada a respostas aproximadas e alteração da consciência, não ao transtorno de transe e possessão.
- B)só pode ser observado em rituais religiosos;
Errada, porque o quadro pode ocorrer em contextos culturais e religiosos, mas não se limita a rituais religiosos.
- C)é uma característica essencial da doença de Alzheimer;
Errada, porque doença de Alzheimer é demência neurodegenerativa e não tem o transtorno de transe e possessão como característica essencial.
- D)é frequentemente observado na demência por corpos de Lewy;
Errada, porque a demência por corpos de Lewy se relaciona a flutuações cognitivas, alucinações e parkinsonismo, não a transe e possessão.
- E)leva o indivíduo a agir tomado de uma personalidade ou divindade, ocorrendo uma pausa temporária no senso de identidade.
Certa, porque descreve a experiência de ser tomado por outra identidade ou divindade, com suspensão temporária do senso de identidade.
Gabarito: E
O transtorno de transe e possessão é um quadro em que a pessoa passa a apresentar uma alteração temporária da consciência, da identidade e da percepção de controle sobre si mesma. Em termos práticos, ela pode parecer “tomada” por outra entidade, espírito, divindade ou personalidade, com comportamento, fala e atitudes que fogem ao seu modo habitual de ser. É um tema muito cobrado em psiquiatria forense porque pode gerar dúvida sobre imputabilidade, simulação e contexto cultural. A chave aqui é entender que não se trata de um fenômeno exclusivo de rituais religiosos. Ele pode ocorrer em contextos culturais e religiosos, mas o ponto central do transtorno é a ruptura transitória do senso de identidade e de agência. Ou seja, a pessoa sente ou age como se estivesse dominada por algo externo, e depois pode haver lembrança parcial ou completa do episódio. Por isso, a alternativa E está correta: ela descreve exatamente essa ideia de o indivíduo agir como se estivesse tomado por uma personalidade ou divindade, com pausa temporária no senso de identidade. Isso bate com a descrição clássica dos transtornos dissociativos de transe e possessão, reconhecidos em classificações diagnósticas como a CID-10 e a CID-11, sempre com atenção ao contexto cultural para não confundir experiência ritual esperada com psicopatologia. As demais alternativas tentam misturar o tema com outras síndromes e doenças neuropsiquiátricas. Aqui, o examinador quer ver se você distingue dissociação culturalmente contextualizada de demência, síndrome confusional ou outros quadros que não têm essa assinatura de “perda temporária do eu”.