Um dos desafios da prática psiquiátrica é realizar, o mais rapidamente possível, a avaliação e o manejo de quadros de agitação e agressividade. Estudos epidemiológicos demonstram que, quando comparadas à população em geral, pessoas com transtornos mentais têm risco elevado de apresentar esses comportamentos. Tais quadros comportamentais constituem emergências médicas e com frequência se apresentam no hospital geral e em serviços psiquiátricos. QUEVEDO, J; CARVALHO, A.F. (org.). Emergências psiquiátricas. 3. ed. Dados eletrônicos. Porto Alegre: Artmed, 2014 Em emergências psiquiátricas, a melhor opção farmacológica para o manejo de pacientes que estejam em quadro de agitação psicomotora associada a uma crise psicótica, entre as citadas, é
- A)25-100 mg EV de clorpromazina.
Errada: a clorpromazina EV não é a melhor opção na emergência por maior risco de hipotensão e efeitos adversos, além de não ser a escolha preferida para agitação psicótica aguda.
- B)2-5 mg EV de diazepam.
Errada: o diazepam pode sedar, mas não trata a psicose e por isso não é a melhor escolha quando a agitação está associada a crise psicótica.
- C)0,3-2,5 mg IM de midazolam.
Errada: o midazolam IM age rápido para sedação, mas não é a opção mais específica para quadro psicótico, em que um antipsicótico costuma ser mais adequado.
- D)2,5-5 mg IM de haloperidol.
Certa: o haloperidol IM é uma opção clássica e eficaz para contenção química da agitação psicomotora associada à psicose.
- E)dar preferência a contenção mecânica para evitar efeitos adversos de sedativos.
Errada: contenção mecânica é medida excepcional e não deve ser preferida de rotina, pois a abordagem deve priorizar desescalada e medicação adequada.
Gabarito: D
Na agitação psicomotora associada a crise psicótica, o objetivo é acalmar com rapidez, reduzir risco de auto e heteroagressão e, ao mesmo tempo, tratar a base do quadro. Em geral, quando a agitação vem com delírios, alucinações ou desorganização do pensamento, o antipsicótico costuma ser a melhor escolha inicial. Benzodiazepínicos podem ajudar, mas funcionam melhor quando a agitação não tem forte componente psicótico ou quando precisam ser associados a outra droga. O gabarito é a letra D porque o haloperidol intramuscular é um clássico do manejo da agitação psicótica: faz sedação comportamental eficiente e atua diretamente nos sintomas psicóticos. A via IM é útil quando o paciente não coopera com medicação oral e a dose sugerida é compatível com uso de contenção química em emergência. Na prática, o raciocínio é simples: se o surto psicótico está dirigindo a agitação, você trata o cérebro "fora de ritmo" com um antipsicótico. As outras opções falham por diferentes motivos. A clorpromazina EV não é a melhor escolha em emergência por risco de hipotensão e outros efeitos adversos, além de não ser a opção mais segura para controle rápido. Diazepam EV pode sedar, mas não trata a psicose e não é a melhor primeira escolha nesse contexto. Midazolam IM tem efeito sedativo rápido, porém é mais usado quando a prioridade é sedação imediata, não o controle específico da crise psicótica. Vale lembrar que a contenção mecânica não deve ser a primeira resposta automática. Ela é medida de exceção, usada quando há risco iminente e falha das estratégias verbais e farmacológicas, com monitorização e registro adequados. O manejo moderno prioriza desescalada verbal, medicação apropriada e contenção física apenas se realmente necessária.