Ana, 10 anos, foi encaminhada para avaliação psiquiátrica após reclamações frequentes de sua professora ao longo do último ano letivo. Segundo o relato escolar, Ana costuma desafiar as regras de sala de aula, recusa-se a seguir instruções e frequentemente argumenta com a professora de forma desafiadora. Ela interrompe as atividades, acusa colegas de estarem “contra ela” e demonstra irritação com facilidade, principalmente quando é contrariada. Não há relatos de agressões físicas ou atos de vandalismo. Os pais mencionam que, em casa, Ana frequentemente discute com eles, culpando-os pelo seu mau comportamento. Acerca desse quadro clínico, o diagnóstico mais provável para Ana é transtorno:
- A)de conduta;
Errada, porque transtorno de conduta exige violações mais graves, como agressão, vandalismo, crueldade, furtos ou destruição de regras sociais.
- B)opositivo desafiador;
Certa, pois o quadro descreve irritabilidade, desafio a autoridades, discussões frequentes e tendência a culpar os outros, que são traços típicos do transtorno opositor desafiador.
- C)explosivo intermitente;
Errada, porque transtorno explosivo intermitente se manifesta por surtos agressivos impulsivos e desproporcionais, e isso não aparece no caso.
- D)de ansiedade generalizada;
Errada, porque transtorno de ansiedade generalizada é marcado por preocupação excessiva e tensão persistente, não por comportamento desafiador e confrontador.
- E)do déficit de atenção e hiperatividade.
Errada, porque TDAH envolve desatenção, hiperatividade e impulsividade, e o enunciado destaca principalmente oposição e irritabilidade, não déficit de atenção como eixo do quadro.
Gabarito: B
Aqui o quadro é bem típico de transtorno opositor desafiador: a criança discute muito, desafia regras, provoca conflito com figuras de autoridade, fica facilmente irritada e costuma culpar os outros pelo próprio comportamento. Em geral, o problema aparece mais como uma postura de oposição e provocação do que como agressividade grave ou destruição. O ponto central é que Ana não mostra condutas mais pesadas, como crueldade, furtos, vandalismo, violação séria de regras ou agressão física. Isso afasta transtorno de conduta, que é mais intenso e envolve prejuízo mais grave para os direitos alheios e normas sociais. Também não parece um quadro de explosões agressivas desproporcionais, que seriam episódicas e marcadas por ataques de raiva ou agressões impulsivas. Aqui, o padrão é mais persistente, relacional e desafiador, especialmente com pais e professora. Na prática de prova, pense assim: oposição, irritabilidade e discussão frequente sem agressão importante apontam para transtorno opositor desafiador. É o famoso "não aceito regra, não aceito bronca e ainda acho que a culpa é sua".