Uma paciente feminina de 30 anos é atendida em ambulatório com queixas, iniciadas há 24 horas, de sensação de sufocamento, palpitações, tremores, sudorese, calafrios, parestesia nos membros superiores, sensação de desligamento do próprio corpo, desconforto torácico e náuseas. Ao exame, encontrava-se eupneica (com hiperventilação intencional, irregular e com pausas), sinais vitais conservados, PA 110/80, SPO2 99%, FC 90, FR 22, glicemia capilar normal. Informou que já teve episódios semelhantes por três vezes nos últimos meses e refere medo de novas crises. O diagnóstico mais provável para o caso é transtorno:
- A)ciclotímico;
Ciclotimia é um transtorno do humor com oscilações crônicas entre sintomas hipomaníacos e depressivos leves, sem relação com crises agudas de ansiedade como as descritas.
- B)esquizotípico;
Esquizotipia envolve আচamentos excêntricos, વિચ“pensamento mágico”, distorções perceptivas e estranheza interpessoal, não crises paroxísticas de pânico.
- C)de estresse pós-traumático;
TEPT exige exposição a evento traumático com revivescência, esquiva e hipervigilância, o que não aparece no caso.
- D)de personalidade borderline;
Transtorno de personalidade borderline cursa com instabilidade afetiva, impulsividade e medo de abandono, mas não explica o padrão típico de crises súbitas e recorrentes com medo de novas crises.
- E)de pânico.
Transtorno de pânico é o diagnóstico mais provável porque há ataques recorrentes, sintomas físicos intensos e ansiedade antecipatória por novas crises.
Gabarito: E
O quadro descreve uma crise súbita e intensa, com sintomas autonômicos e de medo, como palpitações, sudorese, tremores, sensação de sufocamento, desconforto torácico, parestesias e despersonalização. Isso é bem típico de ataque de pânico. O detalhe importante é que ela já teve outros episódios semelhantes nos últimos meses e agora passou a ter medo de novas crises, o que aponta para transtorno de pânico, e não apenas um ataque isolado. Em psiquiatria, ataque de pânico pode acontecer em vários contextos, mas quando é recorrente e acompanhado de preocupação persistente com novas crises, o diagnóstico sindrômico mais provável é esse.