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Psiquiatria · FGV · 2025

Questão comentada de Psiquiatria

Maria, 33 anos, apresenta preocupação excessiva com a possibilidade de ter uma doença grave há aproximadamente nove meses. Apesar de não apresentar sintomas físicos relevantes, ela vive convencida de que pode estar desenvolvendo uma doença grave. Ela relata aferir frequentemente seus sinais vitais, além de realizar buscas intensas por informações médicas em fontes on-line, convencida de que pode ter, por exemplo, câncer ou um distúrbio cardíaco. Maria já consultou diversos médicos e submeteu-se a inúmeros exames laboratoriais e de imagem, todos com resultados normais, mas persiste em buscar novas opiniões médicas para obter garantias de que não tem nenhum problema de saúde significativo. A intensa preocupação com a possibilidade de ter uma doença grave tornou-se o foco central da sua vida, prejudicando suas relações sociais e o desempenho no trabalho. Embora ela reconheça, em certos momentos, que suas preocupações possam ser exageradas, essa percepção não é suficiente para diminuir seu sofrimento. Nesse caso, o melhor diagnóstico é:

Gabarito: E

O quadro descrito é típico de transtorno de ansiedade de doença: a pessoa tem medo persistente e excessivo de estar com uma doença grave, mesmo sem sintomas relevantes ou com exames normais. O centro do problema não é a doença em si, mas a ideia fixa de que algo terrível está escondido no corpo, o que leva a checagens repetidas, buscas incessantes na internet, consultas sucessivas e muita necessidade de garantia. Isso acaba virando um trabalho de tempo integral, só que sem carteira assinada e com muito sofrimento. Para o diagnóstico, o ponto-chave é a duração e o impacto: a preocupação persistente já dura meses e prejudica a vida social e profissional. Além disso, a paciente não apresenta um quadro delirante ou psicótico, porque ela ainda consegue, em certos momentos, reconhecer que pode estar exagerando, mesmo que isso não alivie a angústia. Esse diagnóstico foi consolidado no DSM-5 como illness anxiety disorder, que em português costuma aparecer como transtorno de ansiedade de doença. A diferença para a antiga hipocondria é que hoje se enfatiza a ansiedade com a possibilidade de adoecer, e não necessariamente sintomas físicos intensos. A alternativa correta é a letra E. As demais opções fogem do quadro: esquizofrenia exigiria sintomas psicóticos; transtorno bipolar e depressão maior trariam alterações de humor bem centrais; e síndrome de Munchausen é outra história, com simulação intencional de doença, geralmente para assumir o papel de doente, o que não é o caso aqui.

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