Margarete, 22 anos, foi internada após tentar suicídio com a ingesta de 40 comprimidos de Captopril e 40 comprimidos de Atenolol pertencentes a sua mãe. Ao sair da unidade de terapia intensiva, foi solicitado o parecer da psiquiatria. Nesse caso, avalie se uma boa conduta do psiquiatra inclui os seguintes cuidados: I. dar alta hospitalar à paciente somente após o risco de nova tentativa suicida ter sido devidamente estimado; II. o psiquiatra não deve interpretar a motivação da paciente (se manipulação, por exemplo), porém deve basear sua avaliação no mapeamento de fatores protetivos o de risco para suicídio, além, obviamente, da presença ou ausência de um transtorno mental de base; III. no caso de a paciente relatar ao médico que ainda pensa em suicídio, mesmo possuindo um bom suporte familiar, devido a gravidade do caso, o psiquiatra deve cogitar internação hospitalar. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Errada, porque a conduta não se limita a apenas estimar o risco para dar alta; os demais cuidados descritos também são corretos.
- B)I e II, apenas.
Errada, porque as afirmativas I e II estão corretas, e a III também deve ser considerada na avaliação do caso.
- C)I e III, apenas.
Errada, porque a afirmativa II também está correta e não pode ser excluída.
- D)II e III, apenas
Errada, porque a afirmativa I também é correta, já que a alta depende da estimativa do risco de nova tentativa.
- E)I, II e III.
Certa, porque as três afirmativas descrevem condutas adequadas na avaliação psiquiátrica de uma tentativa de suicídio.
Gabarito: E
Em risco de suicídio, o psiquiatra não pode trabalhar no modo "achismo": a avaliação precisa ser objetiva, estruturada e baseada em fatores de risco, fatores protetivos, presença de transtorno mental e no estado mental atual. Depois de uma tentativa, a prioridade não é perguntar se foi "drama" ou "manipulação" - é medir risco de repetição e gravidade, porque a clínica manda mais do que a impressão apressada. A afirmação I está correta porque a alta hospitalar, em um caso assim, só deve ocorrer depois de uma estimativa adequada do risco de nova tentativa suicida. Isso é coerente com a boa prática psiquiátrica e com a lógica de segurança do paciente: antes de liberar, você precisa saber se a pessoa está protegida o suficiente para sair. A afirmação II também está correta. O psiquiatra deve evitar rótulos simplistas sobre a motivação e focar na análise técnica: ideação suicida, plano, letalidade do método, impulsividade, acesso a meios letais, transtornos psiquiátricos, uso de substâncias, história prévia e rede de apoio. Em outras palavras, não é o palpite que salva - é a avaliação bem feita. A afirmação III igualmente está certa. Se a paciente continua pensando em suicídio, mesmo com suporte familiar, a gravidade do quadro pode justificar cogitar internação hospitalar, porque presença de ideação suicida atual é um alerta importante. Na prática, a decisão deve considerar risco iminente, capacidade de autocuidado e segurança, e a internação pode ser a medida indicada para proteção. Por isso, o gabarito é E, com todas as afirmativas corretas.