Danilo, de 31 anos, advogado, procura atendimento psicológico relatando tristeza, desânimo, sentimento de angústia, insônia e dificuldades de concentração. Esses sintomas começaram há três meses, após sua demissão inesperada e tem causado prejuízo laboral e social. Ele afirma que a ideia de estar desempregado o deixa ansioso, e evita discutir o assunto com amigos e familiares. Com base no caso relatado, o diagnóstico mais provável é
- A)transtorno de adaptação.
Correta, porque os sintomas surgiram após um estressor identificável e causam prejuízo, quadro típico de transtorno de adaptação.
- B)transtorno de estresse pós-traumático.
Errada, pois não há relato de trauma com revivescência, evitação de lembranças traumáticas e hiperexcitabilidade característicos do TEPT.
- C)agorafobia.
Errada, já que agorafobia envolve medo de situações como sair de casa, transporte ou multidões, e não reação a desemprego.
- D)transtorno de ansiedade generalizada.
Errada, porque o TAG exige चिंता/ansiedade excessiva e persistente em vários domínios, e aqui o foco é um único estressor claro.
- E)transtorno de pânico
Errada, pois transtorno de pânico se caracteriza por ataques súbitos e recorrentes de pânico, o que não aparece no caso.
Gabarito: A
O caso descreve um quadro emocional que surgiu depois de um estressor identificável e claro: a demissão inesperada. Esse detalhe é a pista principal. No transtorno de adaptação, os sintomas aparecem em resposta a um evento estressor, começam em prazo relativamente próximo ao fato e geram sofrimento e prejuízo, mas sem preencher melhor a descrição de outro transtorno específico. Aqui, Danilo apresenta tristeza, desânimo, angústia, insônia, dificuldade de concentração e evitamento de conversar sobre o tema do desemprego. Tudo isso vem acompanhando a situação estressante e já está atrapalhando a vida social e laboral. Em prova, quando o enunciado liga diretamente os sintomas a um evento desencadeador definido, pense primeiro em transtorno de adaptação. Por que não é depressão maior? Porque o caso foi montado para destacar a relação temporal com um estressor específico. Por que não é TAG, pânico, agorafobia ou TEPT? Porque não há preocupação excessiva difusa com vários domínios, nem crises súbitas de pânico, nem medo de lugares, nem exposição a trauma com revivescência. O foco é a reação desproporcional ou mal ajustada ao evento. Na psicopatologia, o raciocínio é simples: estressor identificável + sintomas emocionais/comportamentais + prejuízo funcional = forte cara de transtorno de adaptação. Em concursos, a FGV gosta justamente dessa combinação bem “vida real”, em vez de um quadro clássico de manual. Aqui, o gabarito A está correto porque o problema nasceu da demissão e se organizou em torno dela.