Paciente de 58 anos procura atendimento psiquiátrico referindo piora em comportamento compulsivo com jogos, que ocorreu de forma acentuada após iniciar tratamento para quadro de uma sensação desagradável em suas pernas, que ocorria principalmente em repouso e à noite melhorava transitoriamente ao movimentar as pernas. Familiar presente na consulta complementa dizendo que o paciente é "viciado em jogos de azar" e que, mesmo com dívidas importantes, segue jogando compulsivamente, ignorando as consequências desse comportamento. Reforça que o quadro piorou após introdução de nova medicação. Diante desse quadro, é correto inferir que o paciente recebeu o diagnóstico de:
- A)acatisia, tendo iniciado tratamento com clozapina, e que levou à piora do quadro de controle de impulsos;
Errada: clozapina não é o tratamento do quadro descrito e acatisia não explica bem o padrão típico de piora em repouso e à noite com alívio ao movimentar as pernas.
- B)acatisia, tendo iniciado tratamento com clonazepam, o que levou à piora do quadro de controle de impulsos;
Errada: clonazepam pode ser usado como adjuvante em alguns casos, mas não é a medicação clássica associada a piora de impulsividade como descrito.
- C)síndrome das pernas inquietas, tendo iniciado tratamento com pramipexol, o que levou à piora do quadro de controle de impulsos;
Certa: o quadro é de síndrome das pernas inquietas, e o pramipexol, agonista dopaminérgico, pode desencadear ou piorar transtornos do controle de impulsos, como jogo patológico.
- D)síndrome das pernas inquietas, tendo iniciado tratamento com naltrexona, o que levou à piora do quadro de controle de impulsos;
Errada: naltrexona não é o tratamento típico da síndrome das pernas inquietas e não corresponde ao mecanismo que explica essa piora de impulsividade.
- E)transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, tendo iniciado tratamento com metilfenidato, o que levou à piora do quadro de controle de impulsos.
Errada: TDAH não combina com a descrição dos sintomas nas pernas, e metilfenidato não é a chave clínica que explica esse quadro.
Gabarito: C
A síndrome das pernas inquietas costuma dar aquela sensação desagradável nas pernas, piora em repouso e à noite, e melhora quando a pessoa movimenta as pernas. Isso é bem típico e ajuda a separar o quadro de outras causas de agitação motora. Em prova, vale lembrar que não é simplesmente "ansiedade" nem acatisia: aqui existe um padrão temporal bem característico. O tratamento clássico inclui agonistas dopaminérgicos, como o pramipexol. O problema é que essa classe pode piorar ou desencadear transtornos do controle de impulsos, como jogo patológico, compras compulsivas e hipersexualidade. Ou seja, o remédio ajuda a perna, mas pode bagunçar o freio comportamental do paciente. Neurofarmacologia na prática: nem todo alívio vem sem boleto. No caso, o paciente já tinha comportamento de jogo compulsivo, e o familiar relata piora importante após a nova medicação. Isso aponta para síndrome das pernas inquietas tratada com pramipexol, com agravamento do controle de impulsos como efeito adverso conhecido. É exatamente o tipo de associação que a FGV gosta de cobrar: diagnóstico clínico + efeito colateral clássico de psicofarmacologia. Se quiser decorar a lógica, pense assim: sintomas nas pernas que pioram no repouso e à noite sugerem síndrome das pernas inquietas; tratamento com agonista dopaminérgico pode piorar jogo patológico. Não há fundamento jurídico aqui, porque o tema é puramente médico-didático.