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Psiquiatria · FGV · 2025

Questão comentada de Psiquiatria

Homem de 47 anos apresenta há cerca de três anos uma série de interpretações equivocadas sobre acontecimentos cotidianos. O paciente descreve que, durante conversas casuais, percebe insinuações de que colegas de trabalho estariam conspirando para prejudicar sua imagem, interpretando comentários neutros como ameaças veladas. Além disso, ele está convencido de que sua esposa tem se envolvido em relações extraconjugais, baseando-se em pequenos detalhes e comportamentos que, na realidade, não constituem evidências concretas de traição. Apesar de manter sua rotina diária sem grandes prejuízos – sem episódios de alucinações, desorganização do pensamento ou variações abruptas de humor –, essa crença fixa vem gerando conflitos intensos no convívio familiar. O paciente nega o uso de substâncias psicoativas. Diante desse caso clínico, o melhor diagnóstico é:

Gabarito: B

O caso descreve uma ideia delirante persistente, organizada e sem sinais importantes de desorganização, alucinações ou prejuízo global do funcionamento. Esse conjunto aponta para transtorno delirante: a pessoa mantém uma crença fixa, claramente falsa ou muito improvável, por pelo menos 1 mês, com funcionamento relativamente preservado fora do tema delirante. Aqui, o conteúdo é de perseguição e ciúme, dois tipos bem clássicos dessa condição. No transtorno delirante, o raciocínio pode até parecer “arrumado” à primeira vista, mas ele gira em torno de uma convicção que não se corrige com evidências. A vida cotidiana costuma seguir quase normal, justamente o que diferencia o quadro de transtornos psicóticos mais amplos. A FGV adora esse contraste: delírio bem delimitado, sem a bagunça toda da esquizofrenia. Já na esquizofrenia, você esperaria um quadro mais amplo, com delírios, alucinações, fala ou comportamento desorganizado e prejuízo funcional mais marcante. No transtorno bipolar, o eixo principal seria a alteração do humor, com episódios de mania ou depressão. TOC envolve obsessões e compulsões reconhecidas como intrusivas, não uma crença fixa e inabalável. Transtorno neurocognitivo maior, por sua vez, traria declínio cognitivo importante, o que também não aparece aqui. Pelo raciocínio clínico e pelo padrão clássico dos manuais diagnósticos, a resposta correta é transtorno delirante: delírio bem estruturado, duração prolongada e preservação relativa do restante da psicopatologia.

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