Uma paciente de 8 anos apresenta comportamento retraído e nervosismo persistente em diversas situações cotidianas. Os sintomas tiveram início há aproximadamente sete meses, coincidindo com a mudança para uma nova escola. Desde então, observa-se que a criança evita participar de atividades em grupo e demonstra desconforto significativo ao frequentar o ambiente escolar. Durante a consulta, a paciente relatou sentir intensa ansiedade ao imaginar situações em que precise interagir com outras crianças ou ser observada, descrevendo episódios de palpitações e aceleração do coração. Ela expressa um medo persistente de ser avaliada negativamente pelos colegas, o que ocasiona prejuízo no seu desempenho escolar e nas interações sociais. Não há relato de alterações marcantes de humor ou pensamentos delirantes. Diante desse quadro, o diagnóstico mais provável é transtorno:
- A)depressivo maior;
Errada, porque depressão maior exigiria humor deprimido e/ou perda de interesse como núcleo do quadro, o que não aparece no caso.
- B)bipolar do humor;
Errada, pois transtorno bipolar envolve episódios de mania ou hipomania, inexistentes na descrição.
- C)do espectro autista;
Errada, já que transtorno do espectro autista exige déficits persistentes de comunicação social e padrões restritos/repetitivos, e não apenas medo de avaliação social.
- D)de ansiedade social;
Certa, porque há medo persistente de exposição e julgamento pelos colegas, com evitação social, sintomas autonômicos e prejuízo escolar.
- E)de apego reativo.
Errada, pois transtorno de apego reativo está ligado a negligência grave e dificuldade em formar vínculos, o que não foi relatado.
Gabarito: D
O quadro descreve um transtorno de ansiedade social: a criança passa a evitar situações em que possa ser observada ou avaliada por outras pessoas, principalmente colegas, e isso gera sofrimento importante e prejuízo escolar e social. Em crianças, esse medo costuma aparecer como recusa de participar de grupos, desconforto na escola, queixas físicas de ansiedade e muita preocupação com a opinião dos outros. O ponto central aqui não é apenas ser tímida. Existe medo persistente e desproporcional de avaliação negativa, com sintomas como palpitações, evitação e prejuízo funcional, e isso já dura meses. A mudança de escola pode ter sido o gatilho, mas o diagnóstico é definido pelo padrão de ansiedade social e pela repercussão no dia a dia. Por isso o gabarito é a letra D. Em psiquiatria infantil, o transtorno de ansiedade social é caracterizado por medo acentuado de situações sociais ou de desempenho em que a criança pode ser examinada pelos outros. Nas classificações diagnósticas, a duração e o prejuízo funcional ajudam a diferenciar de uma timidez comum ou de uma fase transitória de adaptação. As outras alternativas não combinam com o caso: não há humor deprimido persistente, episódios de mania, sinais nucleares de autismo, nem história típica de privação afetiva grave. Aqui a pista foi bem direta, quase um cartaz luminoso dizendo: "medo de julgamento social".