Sobre as síndromes psiquiátricas do puerpério, analise as afirmativas a seguir e assinale a correta.
- A)A psicose puerperal é uma emergência psiquiátrica grave, frequentemente associada ao transtorno bipolar, com início precoce, geralmente 2 a 3 dias após o parto, sendo caracterizada por sintomas psicóticos, desorganização do pensamento e risco elevado de infanticídio e suicídio.
Certa: descreve adequadamente a psicose puerperal, que é emergência psiquiátrica precoce, associada a transtorno bipolar e com risco elevado de suicídio e infanticídio.
- B)A depressão pós-parto se relaciona com a experiência reprodutiva e não há relação evidente com ocorrências de episódios de depressão maior durante a vida.
Errada: a depressão pós-parto pode sim ter relação com episódios prévios de depressão maior e com vulnerabilidade psiquiátrica ao longo da vida.
- C)A psicose puerperal está diretamente relacionada a níveis baixos de prolactina, que modulam a disfunção neuroquímica associada aos sintomas psicóticos, sendo frequentemente desencadeada pela interrupção precoce da amamentação.
Errada: não há relação clássica da psicose puerperal com prolactina baixa ou com interrupção precoce da amamentação como mecanismo direto.
- D)A tristeza pós-parto, ou “baby blues”, caracterizada por instabilidade emocional, irritabilidade e choro fácil, ocorre em cerca de 20% das puérperas, dura ao menos uma semana e está associada ao aumento significativo do risco de transtornos psiquiátricos maiores no futuro.
Errada: o baby blues costuma ocorrer em até cerca de 50% a 80% das puérperas, dura poucos dias até 2 semanas e não implica necessariamente maior risco futuro de transtorno psiquiátrico maior.
- E)O tratamento medicamentoso agudo de primeira linha abrange o uso de antidepressivos e benzodiazepínicos. Além disso, a amamentação deve ser estimulada, já que possui efeitos calmantes na mãe e fortalece o vínculo com o recém-nascido.
Errada: o tratamento agudo da psicose puerperal não é baseado em antidepressivos e benzodiazepínicos, e a amamentação não é a prioridade quando há risco materno-fetal.
Gabarito: A
As síndromes psiquiátricas do puerpério costumam cair em prova porque misturam quadro clínico, tempo de início e gravidade. O puerpério pode trazer desde a tristeza puerperal leve, muito comum e autolimitada, até depressão pós-parto e, no extremo, a psicose puerperal, que é uma emergência psiquiátrica de verdade, daquelas que não dá para “observar mais um pouco”. A psicose puerperal geralmente surge nos primeiros dias após o parto, com frequência muito precoce, em torno de 2 a 3 dias, e costuma ter associação com transtorno bipolar e outros quadros psicóticos do espectro afetivo. O quadro pode incluir delírios, alucinações, pensamento desorganizado, agitação e grande risco de auto e heteroagressão, inclusive infanticídio e suicídio. Por isso, é caso de atendimento urgente, com proteção da mãe e do bebê. A alternativa A está correta porque descreve exatamente essa apresentação clássica: início muito precoce, forte vínculo com transtorno bipolar, sintomas psicóticos e alto risco. Já as demais trocam conceitos comuns em prova: depressão pós-parto pode se relacionar sim com depressão maior prévia ou ao longo da vida; o baby blues é frequente, mas leve e curto, sem valor preditivo obrigatório para transtornos graves; e o tratamento agudo da psicose não é com antidepressivo isolado nem com a lógica de “estimular amamentação” como conduta central. Em termos doutrinários, a lógica cobrada é a clássica dos manuais de psiquiatria: tristeza puerperal é benigna e transitória, depressão pós-parto exige rastreio e tratamento, e psicose puerperal é emergência. Em prova da FGV, desconfie quando ela tenta inverter gravidade, tempo de início ou fator de risco, porque aí mora a pegadinha.